sábado, 19 de outubro de 2013

Infanticídio: Tradição Comum em Algumas Aldeias Indígenas



Infanticídio
Tradição Comum em Algumas Aldeias Indígenas


O infanticídio, tradição comum em algumas aldeias indígenas e pouca conhecida pelos homens brancos, provoca polêmica no país. Ainda hoje é possível encontrar índios que sacrificam crianças gêmeas, deficientes ou até filhos de mãe solteira.
Tem assuntos que ninguém gosta de falar. Quando uma mulher indígena do grupo arawá sai para dar à luz, por exemplo, ninguém vai junto. Esse é um momento só dela. Ela sai sozinha, mesmo que seja muito jovem e aquele seja seu primeiro bebê.
Ela procura uma árvore ou arbusto onde possa se apoiar, se agacha, e ali enfrenta suas dores. É ali, na hora do parto, que essa jovem mãe tem a grande responsabilidade de decidir o futuro da criança. Ela só poderá ficar com o bebê se ele for perfeito.
Se por alguma razão ela volta para a casa sem o bebê nos braços, o silêncio é geral. Ninguém pergunta o que houve. Nem o pai da criança, nem os avós, nem a amiga mais próxima. A jovem se afunda em sua rede, muitas vezes sem coragem ou forças nem para chorar. O assunto morre ali mesmo.
Ninguém pergunta por que ela voltou sem o bebê. A mãe terá que carregar sozinha, em silêncio, pelo resto da vida, a lembrança dessa maldição, dessa má sorte, dessa infelicidade.
Às vezes ouve-se ao longe o choro abafado da criança, abandonada para morrer na mata. O choro só cessa quando a criança desfalece, ou quando é devorada por algum animal. Ou quando algum parente, irritado com a insistência daquele choro, resolve silenciá-lo com uma flecha ou um porrete. Depois disso o silêncio é absoluto.
O infanticídio é um tabu. Da mesma maneira que o assunto é evitado nas sociedades indígenas, é evitado também na nossa sociedade. Ninguém fala, ninguém enfrenta, ninguém toma posição. A posição mais cômoda continua sendo a da omissão muitas vezes maquiada de respeito às diferenças culturais.
Estamos vivendo um momento de mudança de atitudes. Algumas mulheres indígenas resolveram abrir a boca sobre esse assunto, tão polêmico e ao mesmo tempo tão doloroso para elas. 
A partir da iniciativa dessas mulheres, o tabu começou a ser quebrado e a mídia nacional vem veiculando diversas matérias sobre o assunto (Revistas Consulex – outubro 2005, Problemas Brasileiros, do SESC/SP de maio-junho 2007; Cláudia, julho de 2007; Veja, agosto 2007, dentre outras).
Nossa sociedade precisa parar de falar por um momento e ouvir essas vozes. Os números são alarmantes. 


Hakani, sobrevivente de infanticídio



A reportagem aborda o infanticídio a partir do depoimento dos próprios indígenas. Reúne relatos de parentes de vítimas, de agressores e de sobreviventes.
São ouvidos, ainda, antropólogos, advogados, religiosos, indigenistas e educadores.
Esperamos que este material ofereça dados suficientes para que se possa pelo menos tomar uma decisão importante. 
A decisão de levar essa discussão adiante - ouvir, discutir, refletir, com imparcialidade, e criar condições para que as comunidades indígenas possam resolver os conflitos que causam o infanticídio. 
Que, pelo menos por um momento, possamos silenciar ideologias e paixões e ouvir com empatia a voz de mulheres que se cansaram de enfrentar sozinhas essa dor. Que possamos tomar a decisão responsável de quebrar o silêncio sobre o infanticídio. 



Saiba mais sobre o Infanticídio Indígena em Terras Brasileiras:
Atini - Uma Voz pela Vida: http://bit.ly/infanticidio7
Carta Aberta do Movimento Indígena: http://bit.ly/infanticidio6
Casa das Nações: https://youtu.be/lbWd7zm97f0
Decisão Judicial: https://youtu.be/VZ6QqBkqM8I
Hakani: Uma Menina Chamada Sorriso:  http://bit.ly/infanticidio5
Infanticídio Indígena em Tribos Brasileiras: http://bit.ly/infanticidio4
Link de Download no 4Shared (1.35Gb em HD):  http://bit.ly/infanticidio4
Link de Download no Dailymotion (240p. 380p. 480p): http://dai.ly/x2s6s83
Presidente da Funai: https://youtu.be/ocOTzQ1oqD0
Quebrando o Silêncio:  http://bit.ly/infanticidio3
Tradição em Aldeias Indígenas (Record): http://bit.ly/infanticidio2
Tradição Indígena (Globo): http://bit.ly/infanticidio1
Xingu Investigado: http://bit.ly/infanticidio8

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