domingo, 11 de maio de 2014

NT Macuxi


O Novo Testamento na Língua Macuxi do Brasil


Edição 2013

"Amenan pe paapaya uyetatoꞌkon"





Apresentamos a tradução do Novo Testamento Macuxi, uma das inúmeras línguas indígenas faladas no Brasil e na Guiana. Esta tradução destina-se a mais de dezoito mil falantes dessa língua que habitam o norte do Brasil e sudoeste da República Cooperativista da Guiana. Muitos macuxi foram alfabetizados em português ou inglês e têm acesso às Escrituras, mas para a grande maioria a língua macuxi é a que fala ao coração. Foi para essas pessoas que fizemos esta tradução.


Chefe Macuxi, Aldeia do Limão


Dois princípios fundamentais orientaram este trabalho: a fidelidade na procura de palavras e expressões que traduzissem o sentido exato do texto original grego e a preocupação em tornar a tradução acessível e facilmente compreensível ao leitor comum.
A entrega da tradução do Novo Testamento para o povo macuxi responde às orações constantes de muitas pessoas em diversos países do mundo. Os macuxi convertidos e outras etnias, que conhecem o poder transformador das Escrituras, oram junto conosco para que esta tradução sirva para a expansão do reino de Deus e que a revelação do Seu amor por todos os povos e raças, na pessoa de Jesus Cristo, torne-se mais e mais conhecida entre o povo macuxi.



Recursos na Língua Macuxi:


Macuxi
Autodenominação: Pemon
Onde estão e Quantos são: Roraima: 29.931 (Funasa, 2010), Guiana: 9.500 (Guiana, 2001), Venezuela: 83 (INEI, 2001)
Família linguística: Karib
Nome alternativo da língua: Macusi, Makushi, Makusi, Makuxi, Teueia, Teweya




Chefe Macuxi, Rio Branco, 1907


Povo Macuxi
Habitantes de uma região de fronteira, os Macuxi vêm enfrentando desde pelo menos o século XVIII situações adversas em razão da ocupação não indígena na região, marcadas primeiramente por aldeamentos e migrações forçadas, depois pelo avanço de frentes extrativistas e pecuaristas e, mais recentemente, a incidência de garimpeiros e a proliferação de grileiros em suas terras.

Localização:
Os Macuxi, povo de filiação linguística Karíb, habitam a região das Guianas, entre as cabeceiras dos rios Branco e Rupununi, território atualmente partilhado entre o Brasil e a Guiana.
Em 2004, a população macuxi no Brasil era estimada em torno de 19 mil pessoas e cerca de metade dessa cifra era encontrada na vizinha Guiana, ocupando áreas de campo e de serras no extremo norte do estado de Roraima e o norte do distrito guianense de Rupununi.



Aldeia do Contão, Roraima.

O território macuxi estende-se por duas áreas ecologicamente distintas: ao sul, os campos; ao norte, uma área onde predominam serras em que se adensa a floresta, prestando-se assim a uma exploração ligeiramente diferenciada daquela feita pelos índios da planície. A dimensão desse território pode ser estimada em torno de 30 mil a 40 mil km2.
A distribuição espacial da população macuxi faz-se em várias aldeias e pequenas habitações isoladas. Estima-se que existam 140 aldeias macuxi no Brasil, mas não há dados precisos sobre o seu número.
O território macuxi em área brasileira hoje está recortado em três grandes blocos territoriais: a TI Raposa Serra do Sol, a TI São Marcos, ambas concentrando a grande maioria da população, e pequenas áreas que circunscrevem aldeias isoladas no extremo noroeste do território macuxi, nos vales dos rios Uraricoera, Amajari e Cauamé.



Aldeia Perdiz, Roraima.

A mais populosa é a TI Raposa Serra do Sol, na porção central e mais extensa de seu território. Essa área é habitada por uma população global estimada em 10 mil habitantes distribuídos em 85 aldeias. [dados de 2004].
A TI São Marcos estende-se contígua à TI Raposa/Serra do Sol. Trata-se de uma área onde estão localizadas 24 aldeias macuxi, com uma população total estimada em 1.934 pessoas (Funai, 1996), que é em sua grande maioria Macuxi.

Histórico do contato
Aldeamentos
A ocupação colonial portuguesa do vale do rio Branco data de meados do século XVIII. Foi uma ocupação marcadamente estratégico-militar. Nessa região, limítrofe às possessões espanhola e holandesa nas Guianas, os portugueses procuraram impedir possíveis tentativas de invasão a seus domínios no vale amazônico, construindo, em 1775, o forte São Joaquim, na confluência dos rios Uraricoera e Tacutu, formadores do Branco, via de acesso às bacias dos rios Orinoco e Essequibo.


Crianças Macuxi, Roraima, c. 1912.

A estratégia utilizada pelos portugueses para assegurar a posse do vale baseou-se no aldeamento dos índios efetuado pelo destacamento do forte. Para tanto, os militares portugueses distinguiam dentre a população indígena os Principaes e suas Nações, buscando convencê-los, por meio de armas e presentes, das vantagens e desvantagens de trazerem as gentes de suas respectivas Nações para formar os aldeamentos.
As informações disponíveis sobre o contato com os Macuxi nesse período são raras e fragmentárias. Surpreendentemente, das diversas etnias então aldeadas, os Macuxi comparecem em pequeno número: temos notícia de apenas dois Principaes Macuxi: Ananahy em 1784 e Paraujamari em 1788, que chegaram a aldear-se, trazendo pequenos grupos consigo. No entanto, não permaneceriam por muito tempo nos aldeamentos. Logo após estas notícias, em 1790, Parauijamari seria acusado de liderar uma grande rebelião, quando a maior parte dos índios aldeados fugiu e os remanescentes foram espalhados por outros aldeamentos portugueses no rio Negro.


Crianças Macuxi, Foto: Theodor Koch, 1911.

Tal revolta poria fim à política oficial de aldeamento e não seriam empreendidas novas tentativas de colonização naquela área ainda no século XVIII. Porém, são muitas as evidências de que as expedições de recrutamento forçado da população indígena permaneceram atuantes, motivadas por outros interesses que se estabeleceriam na região, causando grande impacto sobre a demografia e a territorialidade dos Macuxi.

Extrativismo
Uma nova fase do contato, que viria afetar mais drasticamente o conjunto da população Macuxi, teria início no século XIX, com a expansão da exploração da borracha na Amazônia e, em especial, com a extração do caucho e da balata nas matas do baixo rio Branco. A arregimentação dos índios destinava-se, principalmente, à área do rio Negro, mas também houve “descimentos” para o próprio vale do rio Branco, onde eram engajados como força de trabalho no extrativismo.

Índios Macuxi e Uapixanas com o Tuixáua Macuxi Ildefonso, 1904.

Tais empreendimentos de caráter privado imprimiram a tônica das relações interétnicas no período. Embora o governo imperial demonstrasse uma constante preocupação quanto à implementação de uma política indigenista oficial nessa zona de fronteira, os registros administrativos disponíveis revelam a sua grande debilidade nesse campo. Já nas últimas décadas do século XIX, em particular após a República, que veio a conferir maior autonomia à administração local, ao aproximar-se o auge do ciclo da borracha os regionais passavam a ser considerados colaboradores necessários para a colonização regional: detentores do comércio e dos meios de comunicação com o interior, os regatões [aqueles que trocavam produtos manufaturados pelos de extração diretamente junto à população indígena e regional] ali reinavam.

Pecuária
Parece haver uma estreita conexão entre o extrativismo no baixo rio Branco e a pecuária que viria a se consolidar no curso alto desse rio: o capital extrativista viria a financiar a pecuária. 



Índio Macuxi, em cartão postal, c. 1903 - 1904

Em contrapartida, a pecuária incipiente estabelecida nos campos do alto rio Branco favorecia o recrutamento da força de trabalho dos índios na região, a qual não se limitava à extração, mas compreendia todas as atividades correlatas, em particular a navegação do rio. Havia ampla margem de liberdade para os regatões e quaisquer outros empresários atuantes na área para penalizar os índios e forçá-los ao trabalho. Não havia instância que os penalizasse pela escravidão a que, na prática, submetiam os índios.
Correlata ao trabalho forçado, a migração igualmente forçada singulariza esse momento histórico, uma vez que as migrações entre a população indígena no alto rio Branco decorriam muito mais da expulsão da terra pelo avanço da pecuária do que pelo deslocamento compulsório da mão-de-obra.



Jovens Macuxi, T.I. Raposa Serra do Sol, Roraima, 2015

Na virada para o século XX, a engrenagem de recrutamento de mão-de-obra indígena montada nas décadas anteriores persistia, apesar de decadente. Aldeias abandonadas e movimentos de fuga provocados pela chegada dos brancos não foram somente registrados pelos cronistas do rio Branco, mas foram igualmente objeto de registro por parte dos Macuxi e permanecem ainda hoje em sua memória, marcados por um momento dramático nas diversas narrativas que versam sobre sua história política.



Macuxi: Uma Língua do Brasil
ISO 639-3 mbc
Nomes alternativos: Macuxi, Makuchi, Makusi, Makuxi, Teueia, Teweya
População: 16.500 no Brasil (Moore 2006). População étnica: 23.400 (2001 FUNASA). Total de usuários em todos os países: 18.030.
Localização: Estado de Roraima; rios Contingo, Mau, Pium, Quino.
Mapas de idiomas: Venezuela, nordeste do Brasil, Guiana
Estado idioma: 6b (ameaçada). 
Dialetos: Nenhum conhecido. Não inteligível com Pemon [AOC] ou Patamona [PBC] .
Tipologia: OVS.
Use uma linguagem: A maioria ainda fala a língua (Crevels 2007). Também usado Português [POR] .
Desenvolvimento da linguagem: NT: 1996.
Recursos de linguagem: recursos Olac em e sobre Macuxi
Escrevendo: Alfabeto latino [Latn] .
Também Falado na: Guiana e Venezuela

Nome do idioma: Macuxi
População: 930 na Guiana (2001 FUNASA). População étnica: 7.750 (Crevels 2007).
Localização: Potaro-Siparuni e Alto Takutu-Alto Essequibo regiões: área de fronteira sudoeste, savanas norte Rupununi, 20 pequenos povoados até sopé da montanha Pacaraima.
Nomes alternativos: Macuxi, Macussi, Makusi, Makuxi, Teueia, Teweya
Estado: 7 (deslocamento). 
Uso da linguagem:  uso fraco da linguagem. Também usado Crioulo da Guiana Inglêsa [gyn].

Nome do idioma: Macuxi
População: 600 na Venezuela. O número de falantes Macuxi na Venezuela não é clara desde 1992, Censo Indígena, provavelmente, incluiu-os no grupo Pemon (Crevels 2007).
Localização: Na Bolívia: área de fronteira sudeste, rio Caroni, a oeste da rodovia Pan-Americana.
Nomes alternativos: Macuxi, Makusi, Makuxi, Teweya
Estado: 7 (deslocamento).
Uso da linguagem: Alguns também usam o Inglês [pt], na Bolívia, usado também espanhol [spa].


Veja Também:
Macuxi - Oficialização da Língua: http://bit.ly/LínguaMacuxi
Macuxi - Ritual de Cura & Panela de Barro: http://bit.ly/RitualMacuxi
Maruwai - Breve Comentário: http://bit.ly/ProjetoMaruwai
Maruwai - Educação: http://bit.ly/educamaruwai
Maruwai – Entrega Expositor Cristão: http://bit.ly/ExpositorAbril
Maruwai – Orientações Pastorais: http://bit.ly/OrientaMaruwai
Maruwai - Saúde: http://bit.ly/saudemaruwai
Maruwai - Transporte: http://bit.ly/transmaruwai
Maruwai – Viagem: http://bit.ly/ViagemMaruwai
Missão Indigenista Metodista: http://bit.ly/Indigenista
Novo Testamento na Língua Macuxi: http://bit.ly/ntmacuxi
Palavras de Vida na Língua Macuxi 2/2: http://bit.ly/musicmacuxi2
Palavras de Vida na Língua Macuxi 1/2: http://bit.ly/musicmacuxi1

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