domingo, 8 de dezembro de 2013

O Povo Dâw: Libertação no Amazonas


O Povo Dâw
Libertação no Amazonas


Um exemplo de um povo indígena e de um indivíduo indígena que se tornaram um novo povo e uma nova criatura, respectivamente, é registrado pela missionária Lenita Assis. Diz ela em relação aos Dâw, do Amazonas:
“A partir de 1984, missionários da Associação Linguística Evangélica Missionária, começaram a estudar sua língua e prestar assistência à saúde. Através de uma atividade missionária holística (ou seja, geral e total - explicação minha) de apoio e valorização da imagem, o próprio povo, consciente da exploração a que foi submetido, passou a se mobilizar para manter uma vida de melhor qualidade” (Assis, 2004:11).
Como resultado dessa iniciativa, a autoestima da etnia Dâw passou a ser valorizada. Até mesma a designação com a qual eram chamados mudou:
“Por isso, eles não aceitam mais que os tratem por "Kamã", insistindo que são Dâw. Muitos moradores de São Gabriel, estão entendendo essa situação e, pelo menos na frente deles não usam mais o termo Kamã, e sim Dâw como desejam ser reconhecidos" (op.cit.: 12).


O termo "Kamã" não fez parte do vocabulário Dâw, é uma expressão pejorativa, significando, de acordo com o dicionário da língua Tariana: "capotado, aquele que bebeu até cair" (Assis, op.cit.:7). Esse apelido veio de o fato do povo Dâw como um todo embriagar-se demais no passado na cidade de São Gabriel da Cachoeira. Quando não havia cachaça, eles bebiam álcool de farmácia. Quando não havia álcool, ingeriam desodorante. Eles perderam suas terras e viviam como mendigos na cidade. O evangelho trouxe dignidade a essa comunidade indígena. Os capotados, os que bebiam até cair deixaram de existir enquanto povo. Um novo grupo social surgiu. O povo Kamã não existe mais. Existe o povo Dâw. A população de São Gabriel está admirada pela transformação positiva que o evangelho causou nessa etnia indígena.
Essa dignidade e autoestima, características de uma nova criatura, é percebida também a nível individual e não apenas a nível social. Sobre um indivíduo Dâw que se converteu, Lenita Assis relata o seguinte:
“Quando o chamam de Pirarara, ele diz que não é mais, o Pirarara já morreu, agora ele é o Jair. Os antigos amigos chegam a dizer que agora ele virou "branco", não é mais índio. E ele responde que é índio sim, quer dizer: não "Kamã", não Pirarara, mas Jair-Dâw” (op.cit: 15).
Contestando esse tipo de ideia de que o Dâw deixa de ser indígena ao se converter, ao exercer melhor a sua autoestima e a sua dignidade, Lenita Assis afirma:
“Possivelmente, alguns tendem a pensar que tais pessoas estão "perdendo sua identidade de indígena". No entanto, elas perdem de vista que está acontecendo justamente o contrário. Esses indivíduos se afirmam ainda mais como indígenas. Uma vez que passam a escolher, fazer ou não uma reapropriação de referenciais simbólicos disponíveis e fixados em contextos históricos e socioculturais específicos” (Assis, op.cit.: 15).
As transformações positivas ocorridas na vida de um novo convertido não constituem surpresa nenhuma, pois ele adquire uma nova identidade, ele torna-se um novo ser, uma nova criatura, um cidadão celestial, seja ele indígena ou não indígena. Paradoxalmente, um novo convertido continua parcialmente sendo o que era. Se era não indígena, continua sendo não indígena; se era indígena, continua sendo indígena. Como disse Lenita Assis, o indígena que se converte pode se firmar como mais indígena ainda, pois o evangelho sempre traz dignidade para os que aceitam Jesus Cristo como seu Salvador e Senhor.

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