segunda-feira, 12 de maio de 2014

NT: Bíblia Guajajara


A Bíblia Sagrada na Língua Guajajara

Edição 2007


"TUPÀN ZE'EG"



Guajajara
Autodenominação: Guajajara e Tenetehara
Onde estão: MA
Quantos são: 26.040 (Siasi/Sesai, 2012)
Família linguística: Tupi-Guarani

Nome alternativo:
Guajajara, Tenetehara e Tembé

Os Guajajara são um dos povos indígenas mais numerosos do Brasil. Habitam mais de 10 Terras Indígenas na margem oriental da Amazônia, todas situadas no Maranhão. Sua história de mais de 380 anos de contato foi marcada tanto por aproximações com os brancos como por recusas totais, submissões, revoltas e grandes tragédias. A revolta de 1901 contra os missionários capuchinhos teve como resposta a última “guerra contra os índios” na história do Brasil.

Localização
Todas as Terras Indígenas habitadas pelos guajajara estão situadas no centro do Maranhão, nas regiões dos rios Pindaré, Grajaú, Mearim e Zutiua. São cobertas pelas florestas altas da Amazônia e por matas de cerradão, mais baixas, sendo estas matas de transição entre as florestas amazônicas e os cerrados. Os guajajara nunca habitaram os cerrados vizinhos, região dos povos jê. Sua região mais antiga, historicamente conhecida, foi o médio rio Pindaré.
A partir do final do século XVIII e início do seguinte, expandiram seu território para as regiões dos rios Grajaú e Mearim, onde se estabeleceram pouco tempo antes da chegada dos brancos, disputando com vários grupos timbira as áreas de caça. Por volta de 1850, uma parte dos Tenetehára migrou para o norte e mais tarde passou a ser chamada de Tembé pelos regionais.
As Terras Indígenas Arariboia, Bacurizinho e Cana-Brava abrigam cerca de 85% da população guajajara [dados de 2002]. Em várias terras, eles não são os únicos habitantes indígenas: há grupos dos Guajá em Arariboia e Caru, dos Tabajara em Governador e Rio Pindaré e dos Guarani, Krenyê e Kokuiregatejê em Rio Pindaré. Em duas Terras Indígenas os Guajajara são minoria: em Governador, dos Gavião-Pukobyê, onde representam cerca de 36% dos habitantes, e em Krikatí, onde há uma comunidade cujos moradores não falam mais a língua indígena. Na Terra Indígena Geralda/Toco Preto, dos Kokuiregatejê, antigamente registrada como terra dos Guajajara, só morava um único Guajajara em 2000.

Leia a seguir os principais trechos de uma entrevista que o americano Carl Harrison, tradutor da Bíblia guajajara, concedeu ao jornal Valor Econômico:
Valor: Por que o senhor decidiu fazer uma versão integral da Bíblia em língua guajajara?
Carl Harrison: O Novo Testamento foi lançado em 1985. Teve boa aceitação e a tiragem esgotou-se em meados dos anos 1990. Missionários ligados ao grupo e líderes indígenas leigos associados à crescente igreja evangélica guajajara pediram que fizesse o Velho Testamento. A motivação principal era a mesma do Novo Testamento. Acreditamos que cada pessoa tem o direito de ter à sua disposição a palavra de Deus na língua que mais fala ao coração. Já que pediram, achei bom tentar fazer.
Valor: Muitos guajajara estão procurando se afastar das rezas dos pajés e da “muquiada”, por exemplo, preferindo orações a Deus ou cultos. O senhor acredita que essa substituição tende a se intensificar ao longo dos próximos anos com a introdução da Bíblia?
Harrison: Para muitos, sim. O máximo que a reza dos pajés oferece, além do sentido de “indigenidade” é, às vezes, um alívio de algum sofrimento. Deus oferece amor e vida eterna.
Valor: Se isso acontecer, como o senhor vê as aldeias guajajara nos próximos anos ou nas próximas gerações? Elementos como o pajé, o caruara, a festa do milho e do mel e a “muquiada” vão desaparecer? Ou esses elementos vão ser transformados?
Harrison: Acredito que alguns já estão descobrindo que existem maneiras de celebrar os grandes momentos da vida e adorar a Deus ao mesmo tempo, sem se submeter a espíritos malignos e sem parar de ser guajajara. A “muquiada” talvez não desapareça, mas se modifique para alguns, tornando-se uma cerimônia cristã.
Valor: Quais foram algumas de suas maiores dificuldades linguísticas durante a tradução?
Harrison: Falta de termos como fariseu, glória, sacerdote, camelo; falta de voz passiva, presença da antipassiva, ergatividade [concordância com o objeto direto, que não existe nas línguas europeias], posposições em vez de preposições, ordem verbo, sujeito e objeto em vez de sujeito, verbo e objeto. ["Matou a onça João", em vez de "A onça matou João"], entre dúzias de dificuldades.
Valor: Como tradutor da Bíblia para o guajajara, o senhor se sente mais um homem da ciência (um linguista) ou um evangelizador?
Harrison: Uma combinação. Não ia de aldeia em aldeia “pregando”. Sou linguista-etnólogo primeiro. Evangelista no fim, porque o que levei para eles acabou sendo a boa notícia (Evangelho) contida na Bíblia.
Blog do Mércio: Índios, Antropologia, Cultura, Brasil


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