segunda-feira, 19 de maio de 2014

NT: Bíblia Guarani M’byá


A Bíblia Sagrada
na
Língua Guarani M’byá

Edição 2014


"Nhanderuete ayvu ikya ey vae"



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Guarani M'byá Tekoá Pyau, Jaraguá - São Paulo


Recursos disponíveis na língua Guarani M’byá
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Guarani M’byá
Nome alternativo: Bugre, Mbiá, Mbua, Mbyá, Mbya
Onde estão; Quantos são: Argentina - 5.500 (CTI/G. Grünberg, 2008); ES, PA, PR, RJ, RS, SC, SP, TO - 7.000 (Funasa, Funai, 2008); Paraguai - 14.887 (II Censo Nacional Indígena, 2002)

Família linguística: Tupi-Guarani
"Nós somos uma única família original – nosso corpo e o nosso jeito é o mesmo, a nossa língua e a nossa fala é a mesma. (...) Os antigos foram para o Brasil e os parentes que vieram do Brasil são os que restaram e são os verdadeiros" (Trecho de discurso do dirigente político da aldeia Pastoreo, Itapua, Paraguai, em 1997).
Os M’byá identificam seus “iguais”, no passado, pela lembrança do uso comum do mesmo tipo de “tambeao” (veste de algodão que os antigos teciam), de hábitos alimentares e expressões linguísticas. Reconhecem-se coletivamente como Ñandeva ekuéry (“todos os que somos nós”). A despeito dos diversos tipos de pressões e interferências que os Guarani vêm sofrendo no decorrer de séculos e da grande dispersão de suas aldeias, os M’byá se reconhecem plenamente enquanto grupo diferenciado. Dessa forma, apesar da ocorrência de casamentos entre os subgrupos Guarani, os M’byá mantêm uma unidade religiosa e linguística bem determinada, que lhes permite reconhecer seus iguais mesmo vivendo em aldeias separadas por grandes distâncias geográficas e envolvidos por distintas sociedades nacionais. 

Língua
De acordo com o linguista Aryon Dall'Igna Rodrigues, o M’byá, assim como Kaiowá e Ñandeva são dialetos do idioma Guarani, que pertence à família Tupi-Guarani, do tronco linguístico Tupi. A língua Guarani é falada por diferentes grupos/povos indígenas (Brasil, Paraguai, Argentina, Uruguai, Bolívia) sendo que, no Paraguai, é língua oficial juntamente com o espanhol. As variações na linguagem são observadas na pronúncia e nas sílabas tônicas (a maioria das palavras guarani é oxítona), mas sobretudo no vocabulário e na sintaxe, de acordo com sistemas culturais próprios dos falantes da língua Guarani.
Em aldeias onde os M’byá convivem com os Ñandeva, como o caso de algumas situadas no interior do PR e no litoral de SP e SC, observam-se influências dialetais, sobretudo quando ocorrem casamentos mistos.
Os Guarani M’byá mantém sua língua viva e plena, sendo a transmissão oral o mais eficaz sistema na educação das crianças, na divulgação de conhecimentos e na comunicação inter e entra aldeias, constituindo-se a língua no mais forte elemento de sua identidade. Poucos M’byá, e em sua maioria representantes (ainda jovens) de seus interesses junto à sociedade nacional, falam o português com certa fluência. Crianças, mulheres e velhos são, em grande parte, monolíngues.
A escrita em língua guarani vêm sendo introduzida em aldeias M’byá com mais ênfase a partir de 1997, com a implantação de escolas bilíngues, a partir da criação dos NEIs - Núcleo de Educação Indígena, vinculados às Secretarias Estaduais de Educação e ao MEC. Entre os M’byá há reações favoráveis e contrárias ao ensino da escrita em guarani no início do ensino fundamental. Observa-se que crianças que vêm sendo alfabetizadas em guarani muito novas (entre seis e dez anos de idade) perdem a fluência e a entonação da língua materna. Por outro lado, a alfabetização na língua guarani, até o momento, se constitui no argumento mais forte das instituições oficias de que a educação escolar indígena implantada é diferenciada.
Além da linguagem usual (ayvu), os M’byá conservam uma linguagem ritual, extremamente elaborada, ayvu porã, expressão traduzida por “belas palavras”, revelada pelas divindades aos dirigentes espirituais e pronunciada em ocasiões especiais. Os discursos assim proferidos contém um vocabulário peculiar e fazem menção a conceitos especiais de ordem mítica e, em geral analisam uma situação atual.
Em uma abordagem sobre a língua e a importância da palavra entre os Guarani, Bartolomeu Melià expressa que “a arte da palavra é a arte da vida”. Assim como alma e palavra possuem o mesmo significado, o portador de uma alma (nhee) estrutura sua vida para ser “suporte e fundamento de palavras verdadeiras” (Melià, 1995).