sexta-feira, 4 de julho de 2014

Artigo: São Gabriel da Cachoeira - Desigualdade


São Gabriel da Cachoeira lidera ranking dos municípios mais desiguais do País

Isolada geograficamente, cidade está longe de desfrutar do bolo da 7ª maior economia mundial

Sexta-feira 4 de julho de 2014 - 7:30 AM
Da Redação / portal@d24am.com




Manaus - Em plena floresta amazônica e com mais de 90% de sua população formada por 23 diferentes etnias indígenas, São Gabriel da Cachoeira, a 850 quilômetros de Manaus, lidera o ranking de cidade mais desigual do Brasil, segundo o Atlas do Desenvolvimento Humano 2013, da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado pelo Portal Exame.


Conforme o índice de Gini, que mede a qualidade de vida, São Gabriel tem 0,8 pontos. O isolamento geográfico é, praticamente, proporcional à desigualdade econômica e social que piorou nas duas últimas décadas, conforme a Exame. No município, de 40 mil habitantes, só é possível chegar de barco ou avião.


São Gabriel está na contramão do País, que melhorou no mesmo período e atingiu 0,5. O índice de Gini vai de 0 a 1. Quanto mais próximo de zero, melhor. Além de São Gabriel da Cachoeira, mais cinco municípios amazonenses ocupam os primeiros lugares no ranking. São eles: Itamarati (2º) com índice de Gini de 0,8; Barcelos (10º), com 0,74; Guajará (12º), com 0,74; Santa Isabel do Rio Negro (15º), com 0,72; e Pauini (16º) com 0,72.



Esquecidos
O vice-prefeito de São Gabriel, Domingos Camico Agudelos (PPS), admite que a cidade foi esquecida pelos governantes nas últimas décadas. “Nós sabemos dos grandes problemas do nosso município, mas enquanto não for criada uma política pública específica, abrangente e compartilhada pelos três governos (municipal, estadual e federal), eles não serão resolvidos”, disse Camico ao Exame.com.
A renda per capita no município é de R$ 355, enquanto a do Brasil é de  R$ 793. Segundo Camico, as únicas fontes de renda vêm do funcionalismo público e do Exército, que mantém um batalhão na região por causa da fronteira com a Colômbia. Camico diz que o fato de muitos não terem renda alguma não significa que exista uma ‘epidemia’ de fome, uma vez que o alimento produzido nas comunidades é suficiente para o abastecimento local.




Potencial econômico
Embora a distribuição de renda seja apenas um dos parâmetros para medir o índice Gini, ela pode indicar falhas na autossuficiência do modelo econômico, o que provoca alta dependência de programas assistenciais como o Bolsa Família. “São Gabriel não tem referencial econômico, embora haja potencial para isso. A agricultura familiar ainda é predominante e de baixa produção, sendo apenas uma pequena parte do excedente comercializada”, disse o vice-prefeito.


De fato, embora os 10% mais ricos ganhem 201 vezes mais do que a dos 40% mais pobres, a cidade não tem milionários. A renda média per capita de quem compõe a classe mais alta é de apenas R$ 2.438, enquanto no Brasil o valor é de R$ 3.884.

Comunidades indígenas são organizadas, diz vice-prefeito
Conforme o vice-prefeito de São Gabriel, Domingos Camico Agudelos, a importância do funcionalismo e a presença militar não influenciam na formação de feudos políticos. 


“As comunidades (indígenas) são muito organizadas e a população tem consciência política, tanto é que dificilmente um prefeito é reeleito o que faz com que a rotatividade no poder seja alta”, comenta Camico.
Por que, então, a desigualdade só piorou? Segundo o vice-prefeito, há dois motivos principais. O primeiro deles é a dificuldade logística da região, com o acesso feito praticamente via fluvial. 


“Nós ainda estamos reivindicando junto ao governo federal uma parceria para levar energia elétrica a todas as residências da cidade. Imagina o quanto é difícil levar atendimento de saúde para essa população”, diz o vice-prefeito.


O outro problema apontado por Camico é a falta de recursos para a educação. “Nós temos 235 ‘escolas’, mas somente 70 têm prédios próprios e que já estão sucateados.


Os professores se viram dando aula em suas próprias casas ou em centros comunitários”, disse. “Como as classes têm poucos alunos, a verba acaba indo quase toda para o salário e deslocamento, pois não há estrutura adequada”.


Embora os índices de educação tenham melhorado – a exemplo da taxa de analfabetismo da população acima de 15 anos, que foi de 33% em 1991 para 14% em 2010 -, a porcentagem da população adulta com Ensino Fundamental completo ainda é baixa: 43%.


A parcela dos habitantes que possui Ensino Superior completo é ainda mais alarmante, de apenas 4,38%, menos da metade da média brasileira: 11,2%.



Texto: Portal da EXAME
http://new.d24am.com/noticias/amazonas/gabriel-cachoeira-lidera-ranking-municipios-mais-desiguais-pais/115265

Fotos: Projeto Luz e Vida: Missão Amazônia / 3ª Viagem Missionária

Veja Também:
Mudanças Climáticas no Brasil: A Percepção dos Povos da Floresta: http://projetoluzevidamissaoamazonia.blogspot.com.br/2013/04/mudancas-climaticas-no-brasil-percepcao.html


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