sexta-feira, 10 de outubro de 2014

São Gabriel lidera em casos de suicídios de índios


São Gabriel lidera em casos de suicídios de índios.

Município do Amazonas tem taxa dez vezes maior que a média nacional.


Quinta-feira 9 de outubro de 2014 - AM

Em São Gabriel, consumo de bebida alcoólica é grande entre os índios e apontado como uma das causas de suicídios. 




Manaus - São Gabriel da Cachoeira, no noroeste do Amazonas (a 865 quilômetros de Manaus em linha reta), lidera o ranking de suicídios de índios no Brasil. Entre os mais de cinco mil municípios brasileiros, São Gabriel da Cachoeira ficou na primeira posição.
Entre 2008 e 2012, a taxa foi de 50 casos por 100 mil habitantes, dez vezes maior do que a média brasileira, de 5,3 suicídios por 100 mil habitantes, no período, segundo o Mapa da Violência.
Nas cidades com população indígena, a taxa sobe para 30 mortes. Em São Gabriel, entre os que se mataram de 2008 a 2012, 93% eram índios.
Oito entre dez se enforcaram. O suicídio por ingestão de timbó, raiz venenosa que causa sufocamento, foi o segundo método mais usado.
“O que está acontecendo é um verdadeiro extermínio destas populações”, afirma o médico Carlos Felipe D’Oliveira, da Rede Brasileira de Prevenção do Suicídio.




Foto: Evandro Seixas

No Amazonas, Roraima, Acre e Tocantins, os suicídios passaram de 390, em 2002, para 693, em 2012: aumento de 77,7%.  “Normalmente, o que vemos é que os locais com maior taxa de suicídio de índios são justamente aqueles mais desassistidos, com alto índice de desemprego, uso de álcool, drogas e muito conflito”, afirma D’Oliveira.
Dados oficiais da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) registram 73 casos de suicídio de indígenas só em Mato Grosso do Sul, em 2013 – o maior índice em 28 anos. Dos 73 indígenas mortos, 72 eram do povo Guarani-Kaiowá.
Segundo o Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010 havia um total de 821,5 mil indígenas, o que representa 0,4% da população do País. O suicídio indígena representa 1% da população de índios.
No Amazonas, onde a população indígena representa 4,9% dos habitantes no País, 20,9% dos suicídios ocorre entre indígenas. Em Mato Grosso do Sul, a taxa é ainda mais preocupante. Pelo Censo de 2010, eles são 2,9% da população, mas respondem por 19,9% nos suicídios.





Nos últimos dez anos, o Amazonas foi onde o suicídio de jovens mais cresceu (134%). Os índios representam 4,9% da população do Estado e 20,9% dos suicídios envolveram indígenas.
Os altos índices de mortes foram discutidos no Fórum Brasileiro sobre Suicídio, em Brasília. Em janeiro de 2015, a Rede Brasileira de Prevenção do Suicídio encaminhará uma minuta à Comissão de Seguridade e Família do Congresso Nacional pedindo ações de prevenção. A intenção é criar políticas públicas para reduzir a incidência de suicídios.



Suicídio de índios no Brasil chega a ser seis vezes maior do que taxa nacional

Por Maria Fernanda Ziegler 08/10/2014


Facebook/Reprodução

De acordo com o estudo, alguns dos municípios que aparecem no topo da lista de mortalidade suicida são locais de assentamento de comunidades indígenas, como São Gabriel da Cachoeira (AM), São Paulo de Olivença (AM) e Tabatinga (AM), Amambai (MS) Paranhos (MS) e Dourados (MS).
De acordo com o antropólogo Spensy Pimentel, que estuda a cultura dos índios Guarani-Kaiowá em Mato Grosso do Sul, a tragédia referente ao suicídio indígena no Brasil não é recente. “Isso já acontece há mais de 30 anos. A questão nunca cessou. O tema só está vindo mais à tona por causa de maior transparência dos órgãos”, disse. De fato, os dados mostram que o problema não é de hoje. De 2000 a 2013, só no Estado de Mato Grosso do Sul foram registrados 659 casos de suicídio de indígenas.
O antropólogo ressalta que os suicídios como epidemia começam quando o processo de confinamento dos Guarani-kaiowá se conclui, no final dos anos de 1970. “Individualmente, o suicídio tem as mais variadas motivações. Mas, na maioria das vezes, os pequenos conflitos familiares que levam um jovem a tomar a decisão de tirar a vida estão relacionados à falta de terras”, disse.


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