sábado, 23 de maio de 2015

Artigo: Curral do Arame


Curral do Arame

Pobreza ao lado de rodovia

 


Fome e insegurança rondam acampamento na beira de rodovia. Comunidade espera há 15 anos a entrada em seu tekoha.

As condições de vida no acampamento são precárias. Os barracos são construídos com lonas plásticas, pedaços de madeira e qualquer material encontrado nas imediações, que não protegem contra o frio nem o calor. 


Não há instalações sanitárias nem acesso a energia elétrica e água potável. Para cozinhar, tomar banho e lavar roupas é utilizado um riacho próximo ao acampamento. Em época de chuva os defensivos agrícolas pulverizados nas plantações são arrastados para o córrego. 


Atendimento médico é realizado sem periodicidade e não há qualquer outra presença do Estado para estes brasileiros.
A pequena faixa de terra ao largo da rodovia não permite que se plante nada. Os indígenas dependem unicamente das cestas básicas distribuídas pela Funai. Já o governo do estado não distribui cestas para índios que moram fora das reservas indígenas. 


Para o antropólogo Marcos Homero Lima, do MPF/MS, “as cestas do governo do estado funcionam como uma chantagem velada. A mensagem não dita é: índio da estrada não tem direito. Índio com direito é aquele que não reivindica terra.”.
A situação está distante de uma solução. A terra reivindicada já passou por estudos antropológicos, que ainda não foram publicados.


Violência

Em 18 de setembro de 2009, um grupo armado atacou o acampamento, atirando na direção dos índios e queimando barracos. Um índio de 62 anos foi ferido por tiros e outros indígenas agredidos. O MPF instaurou inquérito para investigar o ataque e a possível prática do crime de genocídio. 


Marco Antonio Delfino, procurador da República responsável pelo caso, afirma que “este ataque denota um quadro de intolerância étnica, infelizmente frequente no estado de Mato Grosso do Sul”.
(Produzido pelo MPF/MS sobre a comunidade)

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