sábado, 24 de outubro de 2015

Enawenê-Nawê 4/7: Longa Maratona de Rituais


Enawenê-Nawê
A mais Longa Maratona de Rituais Indígenas no Brasil


Sete meses de cantos, danças, orações, oferendas, pescarias, tudo dedicado aos espíritos. É uma celebração que parece não ter fim. Dia e noite. Cantando e dançando no centro da aldeia. Eles usam trajes de ritual. E os diferentes clãs se revezam nas oferendas e cânticos.
Ao meio-dia em ponto, o calor é de mais de 40 graus. E eles não param de tocar e dançar. A pintura preta é feita de jenipapo. E as vestes, de palha de buriti. O pente é todo rústico. De palitos presos. Não tem nada artificial. Nada feito em cidade, nem com náilon, nem coisa nenhuma. Todos os ornamentos deles são com penas, palhas.





“Este é com dente de quê?”, indaga o repórter.
“Dente de catitu. É um porco do mato”, conta o índio.
Os clãs tocam instrumentos diferentes. Flautas. Trombetas. Todas de bambu. Bem rústicas. Cada toque tem um significado.
As mulheres participam das danças, mas ficam com a boca e os olhos fechados e tempo todo. Não cantam como os homens, nem podem ver o ritual. Apoiadas nos homens, elas vestem trajes feitos de penas de aves da floresta. O líder do grupo traz a mulher para participar da cerimônia.
Macrussene explica que antigamente as mulheres não dançavam, mas hoje, ele diz, os espíritos querem que as mulheres participem.





A todo momento, eles entram nas malocas. Visitam todas as casas. Lá dentro o ritual segue em volta do fogão de madeira onde armazenam e aquecem os alimentos.
As mulheres depois de dançarem o tempo todo com os olhos fechados sendo conduzidas pelos homens, quando entram nas casas, são colocadas em recintos fechados que a equipe do programa conseguiu autorização para entrar. Crianças e adultas, agora de olhos abertos, mas ainda reclusas. Elas ficam muito acanhadas, não tem o hábito de ver uma câmera.
É a primeira vez que uma câmera da televisão aberta do Brasil entra nos recintos fechados do povo Enawenê-Nawê.
A parte principal deste ritual ainda está para acontecer. Assim como todos os anos, os Enawenê pretendem construir barragens rústicas para pegar cardumes inteiros e oferecer aos espíritos do mal.