sábado, 2 de abril de 2016

NT Bakairí


O Novo Testamento na Língua Kurâ-Bakairí

Deus Itaumbyry

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Jovem Bakairí


Recursos na Língua Bakairí




O Filme Jesus na Língua Bakairí



Histórias bíblicas curtas em áudio na Língua Bakairí.
Duração do Programa: 28:53min.

1. Sobre Jesus 1 (3:47min.)

2. Sobre Jesus 2 (3:26min.)

3. A crucificação (3:34min.)

4. A Ressurreição (3:43min.)



Bakairí. Nuianani. Desenho - Odil Apacano


5. Noé (3:36min.)

6. A Ovelha Perdida (3:31min.)

7. Como Anda a Jesus estrada (3:37min.)

8. O semeador e a semente (3:36min.)

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Bakairí. Foto - Edir Pina de Barros, 1985



Introdução
Antes da abertura dos campos de pouso e rodovias, eram os Bakairi que controlavam o acesso das expedições científicas ao alto Xingu, onde parte deles morava. Hoje vivem todos a sudoeste dessa área, como pescadores e agricultores, sobretudo "mandioqueiros", como os demais Karib.

Língua
A língua Bakairi pertence à família Karib. Segundo os estudiosos, ela apresenta elementos comuns às dos Arára e Txikão e outros às dos Nahukwá e Kuikúru. Todos os Bakairi falam a sua língua, assim como o português.
Desde a década de 60, missionários do Summer Institute of Linguistics (S.I.L.) traduzem textos bíblicos para a língua Bakairi. Cartilhas para alfabetização na língua materna foram por eles elaboradas. Esses trabalhos tendem a uniformizar as diferenças internas, que estão por merecer um cuidadoso estudo.


Bakairí. Foto - Edir Pina de Barros, 1978


Localização
Vivem no estado de Mato Grosso, nas Terras Indígenas Bakairi e Santana. Em ambas predomina o cerrado.
Santana situa-se no município de Nobres e tem o seu nome emprestado de um afluente do Rio Novo que, desenhando parte dos seus limites, desce em busca do Arinos, tributário do Juruena, afluente do Tapajós.
A Terra Indígena Bakairi, na sua quase totalidade, localiza-se no município de Paranatinga, à margem direita do rio Paranatinga ou Telles Pires, afluente do Tapajós. Uma parte dela situa-se no município de Planalto da Serra, à margem esquerda daquele rio. Nas suas vizinhanças encontram-se o morro do Urubu, do Daniel e parte da Serra Azul.
Os centros urbanos que mais influências exercem na vida dos Bakairi são Nobres, Paranatinga e Cuiabá, a capital do estado.


Bakairí. Papa - um dos componentes do ritual Yakuygâde. 
Desenho - Odil Apacano



Histórico do contato
O seu berço mítico de origem - o salto Sawâpa - situa-se abaixo da confluência do rio Verde com o Paranatinga. Devido a conflitos internos e pressões de povos indígenas inimigos, fundamentalmente os Kayabí, os Bakairi migraram em três diferentes direções. Uma parcela deslocou-se para as cabeceiras do Arinos; e foi a primeira a ser alcançada por bandeiras, nas primeiras décadas do século XVIII, sendo a partir de então engajados, nas atividades mineradoras. Outra deslocou-se para o alto Paranatinga; e foi envolvida por colonizadores dedicados à pecuária, agricultura e atividades a elas subsidiárias, nas primeiras décadas do século XIX. A terceira, que era a maior parte, tomou o rumo do alto Xingu, perdendo o contato com as outras duas. Os Bakairi das duas primeiras parcelas passaram a ser conhecidos como "mansos" ou "independentes". Posteriormente Karl von den Steinen viria denominá-los de "ocidentais", reservando o qualificativo de "orientais" aos do alto Xingu.


Bakairí. Foto - Museu Nacional, 1929


A partir de 1847, os Bakairi do Arinos, também ditos de Santana, passam a frequentar, com os do alto Paranatinga, a Diretoria Geral de Índios, em Cuiabá, à busca de brindes. Posteriormente, engajaram-se nas atividades extrativistas da borracha, sobretudo os de Santana, indo comercializá-la nessa capital. Os Bakairi de Santana acabaram por trabalhar, compulsoriamente, na extração da borracha, inclusive nas suas próprias terras, para os seringalistas que as ocuparam. Proibidos de falar a sua língua, entre outras violências contra eles praticadas, parcelas desses Bakairi migraram para o Paranatinga, nas décadas de 20 e 60. Mas daí foram expulsos por funcionários do órgão tutor, que alegavam, tal como os seringalistas, que eles roubavam gado. A criação do Posto Indígena Santana, em 1965, não alterou esse quadro. O S.I.L., a partir dessa época, aí se fez presente, intermitentemente, assim como missionários jesuítas. Anos depois os próprios Bakairi expulsaram os invasores de Santana. Somente em 1975 nela foi implantada uma escola.


Bakairí. Tânupedi. Desenho - Odil Apacano


Os Bakairi do Paranatinga foram guias, construtores de canoas e intérpretes nas expedições de Steinen - realizadas em 1884 e 1887 - e nas outras que as sucederam. Através delas se restabeleceram as relações entre os Bakairi Orientais e os Ocidentais, na terminologia de Steinen. Antes os Bakairi do alto Xingu e demais povos que aí viviam eram desconhecidos dos brancos.
Em 1920 foi criado o Posto Indígena e foi demarcada a Terra Indígena Bakairi, deixando fora dos seus limites o grupo de Antoninho, famoso guia de Steinen. Tinha-se por objetivo atrair para aí todos os indígenas alto-xinguanos, e conquistar assim terras e mão-de-obra para a colonização. Mas apenas os Bakairi se deslocaram definitivamente para o Paranatinga e três anos depois não se registra mais a sua presença no alto Xingu. Reduzidos por uma depopulação crítica, os transferidos se reorganizaram em vários grupos, às margens do Paranatinga, e foram submetidos ao trabalho compulsório pelos agentes do órgão tutor. Os demais indígenas do alto Xingu visitavam o Posto em busca de "brindes".


Bakairí. Foto - Heinz Foerthmann. Museu do Índio, 1943


Nesse período de perdas territoriais e depopulação, começaram a atuar entre eles missionários da South American Indian Mission, que só se retiraram na década de 60 por pressão dos Bakairi. Implanta-se também, em 1922, a escola. Vinte anos depois os diversos grupos locais foram aglutinados em um só "aldeamento", ao lado do Posto, pois a mobilidade e a dispersão, essenciais ao seu universo de sociabilidade, foram consideradas um estorvo à educação e aos serviços de saúde. Aqueles que não se submetiam à ordem imposta eram transferidos para outras terras indígenas, sobretudo as dos inimigos. Alguns participaram, compulsoriamente, da "pacificação" de um grupo Xavante, no alto Batovi. Uma parcela desses Xavante migrou para a TI Bakairi, mas em 1974, com uma população de 180 pessoas, que sobrepujava a Bakairi, retirou-se para o rio Culuene.
A década de 80 é marcada por Projetos de Desenvolvimento Comunitário financiados com recursos do Banco Mundial, que introduziram nas duas áreas caminhões e lavoura mecanizada, dentre outras coisas. Na Terra Indígena Bakairi, registra-se, nesse período, a reconquista de uma área de terras que lhe fora subtraída por ocasião de uma segunda demarcação. O acesso desigual aos bens introduzidos resultou na fragmentação do "aldeamento" existente e na constituição dos grupos locais atuais.




 Bakairí. Foto - Roquette Pinto, 1914



Bakairí: Uma Língua do Brasil
ISO 639-3 BKQ
Nomes alternativos: Bacairi, Kura
População: 950 (1999 ISA).
Localização: Mato Grosso: cerca de 9 aldeias.
Mapas de idiomas: Sul do Brasil
Estado idioma: 5 (Desenvolvimento).
Tipologia: SOV, OVS.
Uso de línguas: Português também usado [POR] .
Desenvolvimento da linguagem: Taxa de alfabetização em L2: 15% -25%. NT: 2011.
Recursos de linguagem: Recursos OLAC em e sobre Bakairi
Escrevendo: Alfabeto latino [Latn] .


Bakairí. Foto Museu Nacional, 1929


Recursos dos Arquivos Abertos de Línguas - OLAC
ISO 639-3: BKQ
O catálogo combinado de todos os participantes OLAC contém os seguintes recursos que são relevantes para esta linguagem:
Outros nomes conhecidos e nomes dialectais: Bacairi, Kura
Use a pesquisa facetada para explorar recursos para a linguagem Bakairí.

1. Online. Crúbadán language data for Bakairí. Kevin Scannell. 2015. The Crúbadán Project. oai:crubadan.org:bkq
2. Vocabulário : Bakairí-Português Português-Bakairí. Taukane, Estevão Carlos. 1978. Brasília, DF [Brazil] : Summer Institute of Linguistics. oai:gial.edu:28243



Bakairí. Kápa. Desenho - Odil Apacano



1. Online. Glottolog 2.7 Resources for Bakairí. n.a. 2016. Max Planck Institute for the Science of Human History. oai:glottolog.org:baka1277
2. Online. PHOIBLE Online phonemic inventories for Bakairi. n.a. 2014. Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology. oai:phoible.org:bkq
3. Online. Bakairi Phonemics. Wheatley, James. 1964. Associação Internacional de Linguística - SIL Brasil. oai:sil.org:42208
4. Online. WALS Online Resources for Bakairí. n.a. 2008. Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology. oai:wals.info:bki
5. Online. LAPSyD Online page for Bakairi. Maddieson, Ian. 2009. www.lapsyd.ddl.ish-lyon.cnrs.fr. oai:www.lapsyd.ddl.ish-lyon.cnrs.fr:src313



Bakairí. Foto Museu do Índio, 1922



1. Online. Bakairi verb structure. Wheatley, J. 1969. WALS Online RefDB. oai:refdb.wals.info:900
2. Online. Pronouns and nominal elements in Bacairi discourse. Wheatley, J. 1973. WALS Online RefDB. oai:refdb.wals.info:901
3. Knowledge, authority and individualism among the Cura (Bacairi). Wheatley, James. 1973. Anthropological Linguistics. oai:sil.org:506
4. Bakairí verb structure. Wheatley, James. 1969. Linguistics. oai:sil.org:3534
5. The peasantization process among the Bacairí. Wheatley, James. 1972. SIL Language and Culture Archives. oai:sil.org:9535
6. A church without church services: the informal Bakairi Church. Wheatley, Jim. 1987. SIL Language and Culture Archives. oai:sil.org:57149
7. Kura (Bakairi) orthography conference: Growth in competence. Jones, Joan W. 1978. Notes on Literacy. oai:sil.org:5279
8. Revivescência de uma dança Bakairí. Wheatley, James. 1966. Revista de Antropologia. oai:sil.org:780
9. Pronouns and nominal elements in Bacairi discourse. Wheatley, James. 1973. Linguistics. oai:sil.org:1783
10. Object-initial languages. Derbyshire, Desmond C.; Pullum, Geoffrey K. 1979. Work Papers of the Summer Institute of Linguistics, University of North Dakota Session. oai:sil.org:40086
11. Online. Bakair?: a language of Brazil. n.a. 2013. SIL International. oai:ethnologue.com:bkq
12. Online. LINGUIST List Resources for Bakairí. Damir Cavar, Director of Linguist List (editor); Malgorzata E. Cavar, Director of Linguist List (editor). 2016-03-29. The LINGUIST List (www.linguistlist.org).oai:linguistlist.org:lang_bkq


 
Bakairí. Pintura corporal feminina. Desenho - Semimo


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