terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

NT: A Palavra de Deus na Língua Tiriyó (Trio)



A Palavra de Deus
na

Língua Tiriyó (Trio)

 Guerreiro Tiriyó. Foto: Protásio Frikel, 1960


Língua
A língua Tiriyó (ou também Trio, autônimo tarëno) é falada por cerca de 2 mil pessoas Tiriyó que vivem em muitas vilas em ambos os lados da fronteira Brasil-Suriname no norte da Amazônia. É uma língua razoavelmente saudável, ainda aprendida por todas as crianças como língua materna, sendo usada de forma bem ativa pelos seus falantes. A maioria dos Tiriyó, mais de 50%, é monolíngue no idioma. Obviamente, a sobrevivência da língua a longo prazo, como, aliás, ocorre com a maioria das línguas nativas da América do Sul, é ainda uma incógnita.


Direitos autorais do NovoTestamento
Este áudio bíblico é trazido a você por Faith Comes By Hearing
Texto: © 2004 UFM Audio Internacional: 2011 Hosanna



"Sere Kan Panpira Kainan Ehteto".
Oração do Senhor
 
Fragmento do Novo Testamento na Língua Tiriyó (Trio), 1979



Missão Tiriyó (Trio)
Extensão Missionária da Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil entre os Índios Tiriyó na Serra do Tumucumaque, extremo Norte do Estado do Pará. A Missão dedica-se a índios do grupo linguístico ‘karib,’ chamados pelos brancos de Tiriyó, mas que se autodenominam ‘taröno’.
Eles habitavam na época as cabeceiras dos rios Pönama, Marapi, Paru d’Oeste e Paru de Leste com o Citaré, no extremo norte do Estado do Pará, região limítrofe com o Suriname, e algumas cabeceiras dos rios Tapanahoni e Courantine-River do outro lado da Serra do Tumucumaque. Os mapas, abaixo, poderão dar uma noção aproximada para localização do habitat dos Tiriyó.


Mapa localização Missão Tiriyó


Iniciada, a convite da Força Aérea Brasileira (FAB), em 1960, a Missão Tiriyó foi assumida em 1964 pela Província Franciscana “ad ex­pe­rimentum” como um compromisso da mesma com a evangelização dos silvícolas daquela região longínqua e de difícil acesso, sendo os primeiros missionários os nossos Freis Angélico Mielert e Cirilo Haas.


Os Tiriyó entre membros da FAB e missionárias. 
Foto: Angelo Machado, 1963.


Se a primeira fase do trabalho missionário consistia mais numa convivência amigável e pacífica (missionário = hóspede), a segunda, após mais ou menos cinco anos, já visava a catequese, familiarizando os índios com os prin­cípios da doutrina cristã e as nossas celebra­ções (Liturgia), despertando primeiramente curio­sidade por parte dos índios e, posteriormente, levando até a um bem vivo interesse pelos contos dos frades a respeito de Jesus e seus feitos (missionário = xamã, pajé).


Distribuição de merenda escolar na Missão. 
Foto: Ninho Moraes. 1979.


Os anos 90 trouxeram a demarcação das terras indígenas, a ‘Reserva Indígena do Tumuc­umaque’, que levou vários grupos de famílias (clans) a procurar novos espaços para a fundação de aldeias ao longo dos Rios Marapi e Paru d’Oeste. Novas terras cultiváveis e maior facilidade de caça e pesca con­sti­tuíram motivo bastante forte para os índios se mudarem. Para os frades houve ainda um outro fator: a criação de aldeias em pontos estratégicos garantiria a segurança dos limites da Reserva contra possíveis invasões indevidas por parte de brancos.


Pastor Tiriyó. Foto: Henri Stahl, 1978


Atualmente, os índios Tiriyó vivem em cerca de 20 aldeias, sem contar a Missão Nova, que seria a maior de todas com cerca de 400 indivíduos. Sete aldeias, incluindo Kusare, constituem as aldeias baluartes da Reserva Indígena. Nestas aldeias também se concentra um maior número de índios que retornaram (em 2a ou 3a geração) do Suriname, para onde seus pais ou avós tinham emigrado no início da década de 1960, convocados por missionários protestantes americanos, deixando quase despovoado o Tumucumaque Brasileiro. (+ Frei Bento Letschert, OFM – Missionário)


Frei Angélico na Missão Tiriyó. Foto: Acervo ISA, 1969.



Escrita
A língua Tiriyó usa uma forma do alfabeto latino desenvolvida por missionários. Essa forma tem as 5 vogais com possibilidade de diacríticos, sendo pobre em consoantes, não havendo as letras b, c, d, f, g, l, q, u, x, y, z.


Usando jamaxi. Foto:  Acervo ISA, 1963. 


Classificação
A língua Tiriyó foi classificada como pertencente ao grupo Taranoano do sub-ramo das Caribanas Guianas, juntamente com a [língua carijona] da Colômbia e língua akuriyó do Suriname, a primeira tendo poucos falantes, a segunda menos ainda. Gildea (2012) lista Tiriyó e Trió como línguas distintas.


Dois Tiriyó ao lado de um DC-3 da FAB na fronteira do Suriname com o Brasil, 1969


Dialetos
Parece haver dois principais dialetos na área de língua Tiriyó, chamados por Jones (1972) de Oriental (ou bacia de Tapanahoni) e Ocidental (ou bacia de Sipaliwini). Esses são chamados por Meira (2000) K-Tiriyó e H-Tiriyó. A principal diferença até agora relatada é fonológica: a diferente percepção do que foram (historicamente) os grupos consonantais que envolvem /h/ e uma oclusiva. Também pode haver diferenças gramaticais e/ou léxicas, mas os exemplos até agora produzidos são discutíveis.


 O General Rondon diante de três Tiriyó.
Foto:  Acervo Comissão Rondon, 1928.


Demograficamente, H-Tiriyó é o dialeto mais importante (~ 60% dos falantes). É o dialeto falado na vila de Kwamalasamutu, Suriname, e em vilas ao longo rio Paru Ocidental (Taiwanês ou Missão Tiriyó, Kaikui Tëpu, Santo Antônio) e também ao longo do rio Marapi (Kuxare, Yawa, etc.). K-Tiriyó é falado em vilas ao longo do rio Paru Oriental (Matawar e alguns em Bonna) no Brasil e nas vilas de Tepoe e Paloemeu no Suriname. A língua Tiriyó  foi também uma base para o pidgin Ndyuka-Tiriyó .



  
Trio: uma língua do Suriname
ISO 639-3: Tri
Nomes alternativos: Tirio
População: Usuários L1: 800 (J. J. Leclerc, 2005). População étnica: 1.400 (2003). Total de usuários em todos os países: 1.530.
Localização: Distrito de Sipaliwini: Kwamalasamutu no rio de Sipaliwini, Palumeu no rio de Palumeu, Tëpu no rio superior de Tapanahoni.
Status da linguagem: 5 (Desenvolvimento).
Classificação: Cariban, Tiriyó, Tiriyó
Uso da Língua: Todos os domínios, exceto na educação. Todas as idades. Atitudes muito positivas, embora não considerado apropriado como tema na escola. Também usam holandês [nld] . Usado como L2 pelos Akurio [ako] , Mawayana [mzx] , Sikiana [sik] .
Desenvolvimento da linguagem: Taxa de alfabetização em L1: 10% - 30%. Taxa de alfabetização em L2: 25% - 50%. NT: 1979.
Recursos de idiomas: Recursos de OLAC em e sobre Trió
Escrevendo: Escrita latina [Latn] .
Outros comentários: Cristãos.


Família Tiriyó. Foto: Protásio Frikel, 1965


Também Falado no Brasil
Nome de Língua: Trió
População: Usuários L1: 730 (Moore, 2006). A maioria é monolíngue. População étnica: 900 (2003 ISA).
Localização: Estado do Pará: principalmente no oeste do rio Paru; Também na Terra Indígena Parque Tumucumaque, nos rios Marapi e Paru do Leste.
Nomes alternativos: Tiriyó, Tirió
Dialetos: Pianokotó.
Status: 5 (Desenvolvimento).
Uso da Língua: Todas as crianças ainda aprendem a língua (Crevels, 2007).
Outros comentários: Dialeto Pianokotó provavelmente extinto; nenhum relatório desde 1957.


 Soprando cariço. Foto: Luiz Donizetti Grupioni, 2001


Recursos dos Arquivos Abertos de Línguas: Tiriyó (Trio)
Descrições do idioma
1.     Online Glottolog 2.7 Resources for Trió. n.a. 2016. Max Planck Institute for the Science of Human History. oai:glottolog.org:trio1238
2.     Online Phoible Online  phonemic inventories for Trio. n.a. 2014. Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology. oai:phoible.org:tri
3.     Online Sails Online  Resources for Trió. n.a. 2013. Max Planck Institute for the Science of Human History. oai:sails.clld.org:tri
4.     Online Wals Online  Resources for Tiriyo. n.a. 2008. Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology. oai:wals.info:tir


 Pescando. Foto:  Acervo ISA, 1963.


Outros recursos sobre o idioma
1.     Online A Grammar of Tiriyo. Meira, Sergio. 1999. Wals Online  RefDB. oai:refdb.wals.info:2584
2.     Online Trio phonology. Jones, Morgan W. 1972. SIL International Publications in Linguistics 35. oai:sil.org:8915
3.     Online Tëhtëke panpira. Leavitt, Claude (compiler). 1981. Instituut voor Taalwetenschap. oai:sil.org:13647
4.     On the phonemic status of [h] in Tiriyó. Parker, Steve. 2001. International Journal of American Linguistics. oai:sil.org:1954
5.     Online Languages of the Guianas. Grimes, Joseph E. (editor). 1972. Sil International Publications in Linguistics 35. oai:sil.org:8557
6.     Preliminary bibliography of Northern Carib. Derbyshire, Desmond C.; Pullum, Geoffrey K. n.d. Sil Language and Culture Archives. oai:sil.org:59399
7.     Online Trio: a language of Suriname. n.a. 2013. SIL International. oai:ethnologue.com:tri
8.     Online Linguist List Resources for Trió. Damir Cavar, Director of Linguist List (editor); Malgorzata E. Cavar, Director of Linguist List (editor). 2017-02-26. The Linguist List (www.linguistlist.org).oai:linguistlist.org:lang_tri

Outros nomes conhecidos e nomes de dialetos: Pianokotó, Tirió, Tiriyó
Outros termos de pesquisa: dialect, vernacular, grammar, syntax, morphology, phonology, orthography

Atualizado em: Dom Feb 26 5:49:49 EST 2017


 Usando tipiti. Foto: Denise Fajardo Grupioni, 2001






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