sexta-feira, 17 de março de 2017

NT: O Filme Jesus na Língua Parakanã


O Filme Jesus
na
Língua Parakanã


Mãe e filho Parakanã na TI Apiterewa. Foto: Carlos Fausto, 1988.
  


Assista ao Filme Jesus na Língua Parakanã

Este vídeo é trazido a você por Jesus Film Project



Introdução
Os Parakanã são habitantes tradicionais do interflúvio Pacajá-Tocantins. Falam uma língua tupi-guarani pertencente ao mesmo subconjunto do Tapirapé, Avá (Canoeiro), Asurini e Suruí do Tocantins, Guajajara e Tembé. São tipicamente índios de terra firme, não canoeiros, e exímios caçadores de mamíferos terrestres. Praticam uma horticultura de coivara pouco diversificada, tendo como cultivar básico a mandioca amarga.


Aprendendo a manejar arma de fogo. Foto: Yves Billon, 1971.


Dividem-se em dois grandes blocos populacionais, Oriental e Ocidental, que se originaram de uma cisão ocorrida em finais do século XIX. Os orientais foram reduzidos à administração estatal em 1971, durante a construção da Transamazônica; os grupos ocidentais foram contatados em diversos episódios e localidades entre 1976 e 1984.


Identificação e localização
Os Parakanã Orientais e Ocidentais somavam aproximadamente 900 indivíduos em 2004. Vivem em duas áreas indígenas diferentes, divisão que não corresponde a dos blocos oriental e ocidental. A primeira área, denominada Terra Indígena (TI) Parakanã, localiza-se na bacia do Tocantins, municípios de Repartimento, Jacundá e Itupiranga, no Pará. Com uma extensão de 351 mil hectares, encontra-se demarcada e com sua situação jurídica regularizada. Desde 1980, recebe a assistência do "Programa Parakanã", fruto de um convênio entre a Fundação Nacional do Índio (Funai) e a Eletronorte.


Festa das tabocas no Igarapé Bom Jardim. Foto: Carlos Fausto, 1988.


Sua população era de cerca de 600 pessoas (2004), distribuída em cinco aldeamentos diferentes, dos quais três pertencem aos Parakanã Orientais (Paranatinga, Paranowa'ona e Ita'yngo'a) e dois aos Ocidentais (Maroxewara e Inaxy'anga). Nessa TI, os Orientais são numericamente dominantes, representando cerca de dois terços da população.


Habitação no Igarapé Lontra. Foto: Antônio Carlos Magalhães, 1975.


A segunda área, denominada TI Apyterewa, localiza-se na bacia do Xingu, nos municípios de Altamira e São Félix do Xingu, também no Pará. Com 981 mil hectares, foi declarada de posse permanente dos Parakanã em 1992, porém a portaria do Ministério da Justiça que a garantia fora revogada, e a terra identificada pela Funai reduzida, de seu tamanho original, para 773 mil hectares.


Habitações no Igarapé Bom Jardim. Foto: Carlos Fausto, 1988.


Uma nova portaria do Ministério da Justiça foi assinada em 21/09/2004. Mas a área encontra-se, hoje, bastante invadida por madeireiros, fazendeiros, colonos e garimpeiros. Assistida pela Administração Regional de Altamira (Funai), contava em fins de 2003 com uma população de 314 pessoas, segundo a Funasa, vivendo em duas aldeias (Apyterewa e Xingu). Todos os seus habitantes são oriundos do bloco ocidental e foram contatados entre 1983 e 1984.


Interior de uma casa na TI Parakanã. Foto: Antônio Carlos Magalhães, 1975.


O termo 'parakanã' não corresponde a uma autodenominação. Os Parakanã se dizem awaeté, 'gente (humanos) de verdade', em oposição a akwawa, categoria genérica para estrangeiros. Segundo Nimuendaju (1948a), o termo pelo qual são conhecidos entrou no léxico indigenista no início do século XX por meio dos Arara-Pariri, grupo de língua karib que teria sido obrigado a abandonar seu território no alto rio Iriuaná, afluente de margem esquerda do rio Pacajá, em virtude de repetidos ataques de um grupo a quem denominava por esse termo.


Pacificação no Igarapé Lontra. Foto: Yves Billon, 1971.


Parakanã, desde então, passou a designar uma "tribo desconhecida de índios selvagens" habitando as cabeceiras dos afluentes da margem esquerda do Tocantins. Outras denominações, entretanto, são reconhecidas e atribuídas aos Parakanã. Os Xikrin do Bacajá os nomeiam de Akokakore, enquanto os Araweté os identificam como Auim, ou seja: inimigo, e ainda Iriwä pepa yã (senhores das penas de urubu), ou, mais pejorativo, Iriwa ã (comedores de penas de urubu).


Parakanã no Igarapé Bom Jardim - TI Apiterewa. Foto: Carlos Fausto, 1988.


Teriam sido avistados pela primeira vez em 1910 no rio Pacajá, acima da cidade de Portel, e identificados como os índios que, na década de 1920, surgiam entre a cidade de Alcobaça e o baixo curso do rio Pucuruí para saquear colonos e trabalhadores da Estrada de Ferro do Tocantins. Foi no início do século XX, portanto, que começaram a aparecer as primeiras informações sobre índios que viriam a ser conhecidos como Parakanã; designação que, então, incluía os Asurini, grupo de mesma língua que também pilhava moradores na região. A partir da década de 1970, os Ocidentais ultrapassaram o limite oeste desse território, vindo a habitar a região das cabeceiras do rio Bacajá e Bom Jardim, afluentes do médio curso do rio Xingu.


Parakanã no Igarapé Bom Jardim. Foto - Carlos Fausto, 1988.


A cisão: ocidentais e orientais
Um conflito em torno da posse de uma das mulheres raptadas levou os Parakanã a dividirem-se em dois grandes ramos. O conflito eclodiu nos anos 1890, durante uma expedição para procurar inimigos na margem esquerda do rio Pucuruí, deixando um saldo de dois mortos. Após esse evento, formaram-se dois blocos distintos: os Orientais assentaram-se no alto curso dos rios Pucuruí, Bacuri e rio da Direita; enquanto os Ocidentais rumaram para noroeste, estabelecendo-se, provavelmente, entre os rios Jacaré e Pacajazinho-Arataú (formadores de margem direita do Pacajá). Não é fácil determinar a localização precisa destes últimos, pois, ao contrário dos primeiros, nenhuma de suas aldeias atuais se situa no território que ocuparam entre o final do século XIX e os anos 1960. Logo após o conflito, os Ocidentais voltaram a buscar contato com seus parentes, primeiro pacificamente, mas depois matando mais um homem adulto nas proximidades da aldeia. A cisão tornou-se, então, irreversível.


Parakanã no Igarapé Lontra. Foto: Alfredo Cabral, 1972.


Os Ocidentais expandiram os períodos de suas andanças pelo interior da floresta, abandonaram progressivamente a horticultura, intensificaram a atividade guerreira e os contatos com a população regional. Já os Orientais, que se mantiveram coesos até o contato definitivo em 1971, adotaram um padrão mais sedentário, mais retraído em relação ao exterior, com uma postura mais defensiva do que ofensiva, e um certo grau de centralização política.


Parakanã no Igarapé Lontra. Foto: René Fuerst, 1972.


Os dois blocos diferenciavam-se não apenas nas estratégias de subsistência, mas também nos mecanismos sociológicos de produção e reprodução do grupo: de um lado os Ocidentais com abertura para guerra, descentralização política, morfologia social não diferenciada, poligamia generalizada; de outro os Orientais com isolamento, centralização, morfologia dualista, poligamia restrita. Enquanto os Ocidentais ampliavam sua zona de atuação, desferindo seguidos ataques contra novos inimigos, raptando várias mulheres e tomando bens, os Orientais isolavam-se e defendiam-se das intrusões em seu território.

Saiba mais: Povos Indígenas do Brasil: https://pib.socioambiental.org/pt/povo/parakana


Parakanã: uma língua do Brasil
ISO 639-3 Pak
Nomes alternativos: Awaeté, Parakanân, Parocana
População: 900 (Fausto, 1995). População étnica: 900 (2004, ISA).
Localização: Estado do Pará: baixo rio Xingú, nas proximidades de São Félix e Altamira.
Mapa da Língua: Brasil Central
Status da linguagem: 5 (Desenvolvimento).
Dialetos: Nenhum conhecido. Parte do subgrupo Akwáwa.
Uso da Língua: Vigoroso.
Escrevendo: Escrita latina [Latn] , em desenvolvimento.


Recursos dos Arquivos Abertos de Línguas - OLAC
Descrições de idioma
1.     Online. Glottolog 2.7 Resources for Parakanã. n.a. 2016. Max Planck Institute for the Science of Human History. oai:glottolog.org:para1312
2.     Online. PHOIBLE Online phonemic inventories for Parakana. n.a. 2014. Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology. oai:phoible.org:pak

Outros recursos sobre o idioma
1.     Online. Parakana: a language of Brazil. n.a. 2013. SIL International. oai:ethnologue.com:pak

Outros nomes conhecidos e nomes de dialetos: Awaeté, Parakanân, Parocana

Atualizado em: Fri Mar 17 0:13:47 EDT 2017

Link para Povos Indígenas do Brasil: https://pib.socioambiental.org/pt/povo/parakana

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