segunda-feira, 15 de maio de 2017

NT: A Palavra de Deus na Língua Krikati-Timbira


A Palavra de Deus
na Língua
Krikati-Timbira

O vídeo de Lucas em Krikati-Timbira do Brasil, é trazido a você por Escripture Earth © 2004 Inspirational Films; © 2016 Wycliffe Bible Translators Inc.



Histórias bíblicas, mensagens, canções e músicas em áudio.
Este conteúdo é trazido a você por Global Recordings Network

Número do programa: A06430
Nome do Idioma: Krikti & Timbira
Duração do Programa:  [44:26min.]

1. A Criação [3:50 min.]
2. A Queda [3:36 min.]
3. Jesus, o Poderoso [3:52 min.]
4. O Jovem endemoninhado [3:19 min.]
5. A Crucificação [0:45 min.]
6. A Crucificação [3:39 min.]
7. A Ressurreição [3:12 min.]
8. A Revelação - 1 [3:40 min.]
9. A Revelação - 2 [3:43 min.]
10. Aprendendo a Orar [3:35 min.]
11. A Vida Vitoriosa [3:41 min.]
12. O Pajé - 1 [3:43 min.]
13. O Pajé - 2 [3:45 min.]

Downloads
O objetivo da Global Recordings Network é que estas gravações sejam usadas na evangelização e em estudos bíblicos que levem a mensagem do Evangelho a pessoas iletradas ou que façam parte de uma cultura mais oral do que escrita, e em especial a grupos não alcançados.
Copyright © 1968 Global Recordings Network. Este registro pode ser copiado livremente para uso no ministério pessoal ou local, na condição de que não seja modificado, vendido separado ou em conjunto com outros produtos que são vendidos.



 
Menina Krikati. Foto: Julio Azcárate.


Introdução
Os Krĩkati tiveram suas terras invadidas por fazendas de gado desde o século XIX e só tiveram seus direitos territoriais plenamente reconhecidos pelo Estado brasileiro em 2004, depois de décadas de conflitos. Hoje procuram dar curso ao seu modo de vida e visão de mundo característicos dos povos Timbira que habitam essa região.

Nome e população
A autodenominação do grupo é Krĩcatijê, que quer dizer “aqueles da aldeia grande”, denominação esta que lhes é aplicada também pelos demais Timbira. Seus vizinhos imediatos, os Pukopjê, a eles se referem usando o designativo Põcatêgê que significa “os que dominam a chapada“.
Devido à referência comum nas fontes históricas entre os Krĩkati e os Pukopjê, no início do século XIX o total da população dos dois grupos foi estimado por Paula Ribeiro em aproximadamente 2.000 índios. Em 1919 um censo do Serviço de Proteção ao Índio (SPI) indicou uma população de 273 índios distribuídos entre as aldeias Engenho Novo e Canto da Aldeia.
Foi só a partir dos anos 60 que as populações dos dois grupos começaram a ser indicadas em separado.



Krikati desfiando fibras de palmeira. Foto: Gilberto Azanha, 1989.


Histórico do contato
Todas as referências históricas aos Krĩkati (Caracati) os situam exatamente no território descrito por Nimuendajú – Casteneau (1844), Ferreira Gomes (1859) e Marques (1870) assim o fazem. Na sua “Memória sobre as Nações Gentias” escrita em 1819, o major Francisco de Paula Ribeiro menciona de passagem os “Poncatgêz”, grupo cujo território coincide com aquele historicamente ocupado pelos Krĩkati. Juntamente com seus vizinhos Pãrecamekra (que habitavam ao norte do Rio Farinha, Tocantins abaixo), aqueles índios foram atacados em 1814 por uma bandeira organizada em São Pedro de Alcântara e auxiliada pelos Mãcamekra (Paula Ribeiro, 1841). Além da coincidência geográfica, o seu nome coincide com a designação que os Gavião-Pukopjê e demais Timbira dão aos Krĩkati: Põcatejê (“aqueles que dominam a chapada”). Tudo leva a crer que os “Põcatgêz” de Paula Ribeiro seriam na verdade uma subdivisão – mais meridional – dos assim chamados Krĩkati.
Próximos culturais e espacialmente falando, os Krĩkati foram muitas vezes confundidos com os Gavião-Pukopjê. Tal fato explicaria o aparecimento tardio do termo “Caracati” nas fontes históricas e a omissão de Paula Ribeiro que, como qualificou Nimuendajú, “um único erro cometeu esse bom conhecedor dos antigos Timbira”. (op. cit: 8). Ao observarmos o mapa do Maranhão elaborado por Cândido Mendes de Almeida (e publicado em 1868) verifica-se que a região compreendida entre Imperatriz e a Serra da Desordem está anotada com o termo “Is. Gaviões”. Outro fato importante a observar é que, por ser praticamente “desocupada” de fazendas ou vilas, a região acima referida é pouco detalhada geograficamente, induzindo o autor a erros evidentes (por exemplo, a colocação da própria Serra da Desordem). Isso quer dizer que o que o autor citado conhecia de fato à época era que entre Imperatriz e a Serra da Desordem habitavam os índios “Gaviões”.



Preparação para a corrida de Toras. Foto: Piotr Jaxa, 1993.


Aguerridos e belicosos, os assim chamados “Gaviões” (isto é, os Pukopjê e Krĩkati) tornaram infrutíferas as tentativas de colonização da região compreendida entre as cabeceiras do Pindaré e Tocantins (os Campos do Grajaú”) até 1841. Em 1817 o governo do Maranhão financiaria a instalação de uma colônia militar nas margens do alto rio Grajaú, a Colônia Leopoldina, para “chamar os índios da região à paz” e permitir a colonização. A execução desse projeto ficou a cargo de Francisco Pinto de Magalhães, o “bem-sucedido pacificador dos Mâkamekra”, e contou com o apoio de 40 soldados de linha. Porém em 1821 nada mais restava dessa colônia, pois Francisco de Magalhães “(...) viu-se obrigado (...) em presença da ferocidade (dos índios) a abandonar o presídio e retirar-se com dezoito homens”. (Marques; [1870] 1970; 200,362).
Depois da instalação da colônia militar de Santa Thereza (atual Imperatriz do Maranhão) – por ordem e expensas do governo do Pará – e do estabelecimento ali do missionário Manuel Procópio, alguns grupos de índios Timbira começariam a estabelecer contatos pacíficos com o padre:
Os primeiros com que (o padre) tratou foram os Apinayé – mas que infelizmente se rebelaram e abandonando o lugar que habitavam, se internaram. Dirigiu-se então as malocas dos Caracatis, Caracatigês e Gaviões e com mais fortuna pode estreitar com eles relações amigáveis, tendo já chegado ao ponto de conseguir que seus Tuxauas ou chefes, lhe prometessem segui-lo e aldearem-se sobre sua direção. Havia o missionário escolhido para assentamento da povoação o lugar denominado – Campo dos Frades – que lhe pareceu ser o mais conveniente” (Aguiar, 1851: 57/58).
Em outro relatório lê-se:
O missionário de Santa Thereza de Tocantins (...) comunicou-me em fins do ano passado (ou seja, em 1853) que nessa ocasião haviam descido do Sertão para sua missão quinhentos indígenas; (...) e ultimamente participa haver reunido ali mais trezentos e dois da tribo Cravaty”. (Rego Barros; 1854; 37).
Estas são as principais referências explícitas aos “Caracati” nas fontes históricas enquanto um grupo diverso dos “Gaviões” – e através delas ficamos sabendo também que os primeiros contatos pacíficos com os “Caracatis” somente teriam acontecido em 1854. Contudo, dos 302 “Caracatis” mencionados acima, poucos ali devem ter permanecido, pois no relatório do seguinte (1855) informa-se que a população indígena da colônia era de apenas 109 índios (Pinto Magalhães, 1855, 26).
O relatório do presidente da província do Maranhão de 1855 não faz referência àquela colônia, mencionando os “índios Gavião e Caracatys (...) existindo na margem esquerda do Rio Grajahú” (Olímpio Machado, 1855: 58).
Em 1856, outro relatório indicava que “o missionário da nova missão de Santa Thereza (...) recorreu ao juiz de direito da comarca de Carolina pedindo força e proteção por causa das ameaças e depredações de gado que cotidianamente eram feitas, segundo sua frase, por mil arcos que circundam a missão” (Cruz Machado, 1856; 70). O mesmo relatório, entretanto, ao tratar das três diretorias parciais existentes na Vila da Chapada (Grajaú), cita “treze pequenas aldeias de índios ‘Gaviões’ que habitavam a margem do Grajaú” (idem, ibidem; 67/68). Como as duas outras diretorias parciais da Vila da Chapada eram compostas por índios “Matteiros” (Xàcamekra) e “Canellas”, isto nos leva a supor que novamente o autor do relatório englobou sob a denominação “Gaviões” os Pukopjê e Krĩkati.
Este relatório é importante, pois além de citar o número de aldeias dos “Gaviões” na margem esquerda do Grajaú, afirmava que “exceto a (aldeia) do capitão Pompeu, que por muito estranhada não é conhecida, todas as mais comunicam-se mais ou menos com os cristãos” chegando mesmo ao requinte de precisar que “os chefes de seis deles já têm nomes cristãos e compõe-se ao todo de 592 índios” (pg. 68). Além disso, o próprio autor afasta o risco de haver confundido aldeias “Gavião” e Guajajara ao considerar que “em toda a extensão da comarca da Chapada existem numerosas tribos de indígenas não civilizados cujo número é orçado em cerca de quatro mil. Em geral estes silvícolas conservam seus hábitos originários (...). Os Guajajara são os únicos que têm recolhido proveito do trato social, devido na maior parte à excelente índole de que são dotados” (idem, ibidem: 68).




Corrida de toras. Foto:  Gilberto Azanha, 1989.


Até o início dos anos 1860, pelo menos, são numerosas as evidências que atestam que a região compreendida entre o rio Tocantins e a margem esquerda do alto curso do rio Grajaú (na altura da Serra da Desordem) era de domínio dos “índios Gaviões” – como afirmam Cândido Mendes de Almeida e César Augusto Marques.
Hoje nos encontramos de posse de material etnohistórico suficiente para podermos considerar que os grupos indígenas englobados sob a denominação “Gaviões” eram na verdade:
  • Os “Gaviões do Oeste” (Paracatêjê, hoje habitando a TI Mãe Maria, no Pará), que até o início dos anos de 1970 mantiveram-se arredios – uma parte do grupo apenas – e dominando o nordeste de Imperatriz, do igarapé dos Frades até a altura de Alcobaça (Tucuruí);
  • Os Gaviões Pykopjê, que dominam ainda hoje a bacia de Santana e os formadores da margem esquerda do alto Grajaú (e que habitam hoje TI Governador – MA);
  • Os Krĩkati (Põcatêjê), que tinham seus habitat localizados ao sul e sudeste dos Gaviões/Pukopjê, nas cabeceiras do Grajaú e Pindaré e – passando o divisor de águas deste rio – nos afluentes da margem esquerda do rio Tocantins, entre o ribeirão Arraia e Imperatriz e;
  • Os Pihàcamekra (ou “Pivocas” ou “Caracatigês”), cujas “antigas sedes eram no Embira Branca, um igarapé que desemboca no Tocantins pela margem direita, um pouco abaixo de Imperatriz” (Nimuendajú, 1946: 18). Em 1859, Ferreira Gomes conheceu uma das aldeias (“Caragés”) “a uma légua de Santa Thereza achando aí entre 50/60 habitantes pobres e mal alimentados” (1862: 510). Marques citando um documento de 1862, afirma serem duas as aldeias destes “Caragés” (= “Caracatêjês” = “Pivocas” = “Pivoca-Mecrãns”- Pihàcamekra) nos arredores de santa Thereza “(...) tendo nas suas habitações a um quarto de léguas e outros a uma légua, além de inúmeros bravios, que habitando em lugares mais longínquos; estão contudo em contato com esses indígenas”(1970 (1870): 567 – grifo nosso). Uma lista de grupos indígenas fornecida pelo juiz de Direito de Carolina ao Presidente da Província do Maranhão em 1861 cita a aldeia dos “Pivocas” nas cabeceiras do Pindaré e nas imediações de Santa Thereza (idem; ibidem: 180). Como comenta Nimuendajú: “a lista merece pouca fé ... mas ele parece indicar que naquela época pelo menos uma parte da tribo (dos Pihàcamekra) já tinha se retirado para além do divisor do Tocantins”. (1946: 18).

Timbira
Esta definição é trazida a você por Native Languages of the Americas
"Timbira" é um nome cultural e linguístico geral que se refere a um grupo de tribos relacionadas do Brasil, incluindo as tribos Canela, Kraho, Krikati e Kreye. Apinayé é por vezes também incluído entre as tribos Timbira, embora a sua língua seja significativamente diferente das outras. Às vezes Apinayé é referida como "Timbira Ocidental", enquanto os outros são referidos como "Timbira Oriental".

Krikati-Timbira: uma língua do Brasil
Iso 639-3xri
Estas informações são trazidas a você por Ethnologue: Languages of the World
Nomes alternativos: Krikati-Gavião, Krinkati-Gavião, Krinkati-Timbira
População: 680 (2005, Funasa). População étnica: 680 (2005, Funasa).                                                                                                                                                                                
Localização: Estado do Maranhão: município de Amarante, Vila do Governador.
Mapa da Língua: Nordeste do Brasil,  "Timbira Oriental".
Status da Língua: 6a (vigoroso).
Classificação: Jean, Norte, Timbira
Dialetos: Krinkati (Karakati), Timbira. Krikati e Timbira são grupos étnicos separados que falam dialetos relacionados.
Tipologia: SOV. (Sujeito-Objeto-Verbo)
Uso da Língua: Também usam o português  [por].

Recursos dos Arquivos Abertos de Línguas: Krikati-Timbira
Iso 639-3: xri

Descrições do Idioma
1.     Online. Glottolog 3.0 Resources for Krikati-Timbira. n.a. 2017. Max Planck Institute for the Science of Human History. oai:glottolog.org:krik1239
2.     Online. Phoible Online.  phonemic inventories for Krikati-Timbira. n.a. 2014. Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology. oai:phoible.org:xri

Outros Recursos sobre o Idioma
1.     Online. Krikati-Timbira: a language of Brazil. n.a. 2013. SIL International. oai:ethnologue.com:xri
Other known names and dialect names: Karakati, Krikati-Gaviao, Krinkati, Krinkati-Gaviao, Krinkati-Timbira, Timbira

Outros nomes e dialetos conhecidos: Karakati, Krikati-Gaviao, Krinkati, Krinkati-Gavião, Krinkati-Timbira, Timbira

Atualizado em: Mon May 15 0:56:44 EDT 2017

Link para The Luke Vídeo: Lucas

Participe deste projeto!
Ajude a Construir o Futuro que Nós Queremos!


Nenhum comentário: