segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Eu Sou Amazônia: Eu sou Resistência


Eu Sou Amazônia
Eu sou Resistência

Terra Indígena Alto Rio Guamá: a vida do Povo Tembé
Terra. Vida. Cultura. Para os Tembé esses três elementos estão sempre juntos. A manutenção de seu território, a Terra Indígena Alto Rio Guamá, exigiu deles muita luta. Buscaram por seus direitos e lutaram contra invasores. Hoje, eles usam novas tecnologias para realizar a gestão e proteção de sua área e garantir o melhor para as gerações futuras.

Eu sou Resistência
Bem-vindos à história dos Tembé. Uma história de resistência da comunidade pelo direito à sua terra. Viver em seu território, a Terra Indígena Alto Rio Guamá, exigiu mais de 40 anos de luta. Hoje, eles usam novas tecnologias para realizar a gestão e proteção do seu território e garantir o futuro das próximas gerações. Tenetehar quer dizer “gente verdadeira”, e é assim que os Tembé se identificam. Eles falam a língua Tenetehar, do tronco tupi, da família Guarani.

Tembé. Foto: Jeanmarc Franc

O Povo Tembé e a Terra Indígena Alto Rio Guamá
Para conhecer a história dos Tembé, é preciso conhecer seu território. A reserva foi criada pelo Estado do Pará em 1945 e já na década de 1970 vieram os primeiros estudos para a criação da Terra Indígena Alto Rio Guamá. No entanto, a área só foi homologada em 1993.
Hoje, o território dos Tembé possui aproximadamente 280.000,00 hectares e está localizado entre a margem direita do rio Guamá e a margem esquerda do rio Gurupi no limite do Pará com o Maranhão. Mesmo com o território demarcado, a TIARG continuou sofrendo invasões constantes.

Terra e Cultura
Hoje os Tembé vivem em 34 aldeias. Elas estão distribuídas entre a parte norte, o Guamá, e a parte sul, o Gurupi.
O direito à terra é muito importante para os Tembé. Lutar pela terra também é lutar pela cultura. O Povo Tembé sempre contou com lideranças importantes, que estiveram prontas para aconselhar durante as decisões difíceis e ajudar a manter as tradições.
Uma dessas lideranças foi a Dona Verônica, da aldeia Teko Haw. Nos anos 1970 e 1980, ela estimulou os Tembé a fazerem suas festas tradicionais, falarem sua língua e se pintarem. Ela transmitiu seus saberes para os mais novos.

Tembé. Foto:  Valdeci Tembé

“Nosso principal patrimônio cultural é a terra. Não tem como vivermos nossa cultura sem a nossa terra!”

Jornal Cultura - Especial Tembé Tenetehara

Fazenda Mejer e sua estrada
A área da TIARG foi alvo de invasões durante toda sua história. A mais séria delas ocorreu em 1974 com a criação da Fazenda Mejer que tomou parte do território indígena como sua propriedade. Os prejuízos ambientais, culturais e territoriais causados ao Povo Tembé foram enormes.

Tembé. Fazenda Mejer.

Além da invasão, em 1976 o dono da fazenda abriu uma estrada para facilitar o escoamento de sua produção, cortando a TIARG ao meio, o que acelerou o processo de invasão e retirada de madeira da região.
  
A Batalha do Livramento
A presença da Fazenda Mejer e de diversos outros colonos ao redor da estrada, deixou a situação na TIARG cada vez mais tensa. Um dos grandes embates causado por essas invasões foi a chamada Batalha do Livramento de 1996.

Tembé. Diário do Pará.

Depois de uma apreensão enorme de madeira na região, os Tembé do Guamá e do Gurupi se uniram, foram até a área e destruíram a madeira. Ao voltar, passando pela Vila do Livramento, foram presos por colonos durante três dias.

Os 77: a batalha do livramento - memória Tembé Tenetehara

Reintegração de posse: Fazenda Tembé
O ano de 1996 traz memórias dolorosas para os Tembé. Mas com ele veio também uma grande vitória. Desde 1979 corria na Justiça a ação de reintegração de posse contra a Fazenda Mejer. E a primeira decisão favorável aos Tembé veio justamente em 96.
Os proprietários da Fazenda recorreram e em 2010 a decisão final devolveu a área da Fazenda Mejer aos Tembé. Mas foi apenas em 18/12/2014 que os 9,2 mil hectares da Fazenda Mejer foram reintegrados a TIARG. Agora a área está se tornando a Fazenda Tembé, gerida pelos indígenas.

Reintegração de posse: Fazenda Tembé

Desafios atuais
Para lidar com os desafios, os Tembé elaboraram o Plano de Gestão Territorial e Ambiental da TIARG, onde pensaram em estratégias para viver bem em sua terra por muitas gerações.
Também construíram Mapas Culturais, Mapas de Risco e Planos de Proteção Territorial. Todas essas ferramentas ajudam os Tembé em suas reivindicações e na organização de seu povo.

Desafios Atuais. Foto: Jeanmarc Franc.

Protegendo o território
Hoje, os Tembé cuidam de seu território através de expedições de vigilância usando o Google Earth e o Open Data Kit (ODK). Com o ODK é possível construir formulários para pesquisa, coletar as informações em campo e organizar os dados em formatos úteis para a visualização, criando registros de pontos de invasão e de exploração ilegal de madeira, por exemplo.

Protegendo o Território. Foto: Jeanmarc Franc

“O Povo Tembé está muito feliz porque essa é uma semente que pode gerar muitos frutos positivos, no sentido de proteção da nossa terra, da nossa cultura, da nossa identidade”
Valdeci Tembé, liderança da TIARG.

Territórios Ameaçados
Apesar das dificuldades, os Tembé resistiram e conseguiram recuperar parte de suas terras. Hoje eles ainda lutam para proteger seu território, como muitos outros Povos Indígenas no Brasil. Neste exato momento, centenas de territórios indígenas sofrem ameaças e invasões que resultam na destruição da Floresta Amazônica.

Territórios Ameaçados. Foto Glenio Dettmar


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