terça-feira, 7 de novembro de 2017

Eu Sou Amazônia: Eu sou Resiliência


Eu Sou Amazônia
Eu sou Resiliência

Xingu sob pressão
O desmatamento, o uso de agrotóxicos e as mudanças climáticas estão ameaçando os povos indígenas e as florestas do Xingu, a primeira grande terra indígena reconhecida no Brasil e hoje casa de 16 etnias.

Coleta de sementes. Aldeia Moygu. Povo Ikpeng, Terra Indígena do Xingu
  
As ameaças ao Xingu
Criado em 1961 no meio do Brasil, o Parque Indígena do Xingu é hoje uma ilha de floresta em uma região que vem registrando altas taxas de desmatamento nas últimas décadas. 


Com o desmatamento e as mudanças climáticas alterando a frequência e intensidade das chuvas na região, todo o Xingu vem sofrendo sérios desequilíbrios ecológicos e suas florestas estão se tornando mais secas e inflamáveis, o que culmina em um número crescente de incêndios florestais. Os povos do Xingu e seus aliados estão mobilizados para enfrentar esse desafio.

Menina beneficiando sementes. Aldeia Moygu. Povo Ikpeng, Terra Indígena do Xingu

Território Indígena do Xingu
Em meados do século passado, a frente colonizadora, apoiada pelo Estado, avançava território brasileiro adentro, com a abertura de estradas e pistas de pouso, colocando em risco inúmeras populações indígenas da região central do Brasil. Cientes disso, os irmãos Orlando, Cláudio e Leonardo Villas-Bôas se aliaram a lideranças políticas para propor a criação de um espaço delimitado e reservado a estas populações. Nascia o Parque Indígena do Xingu, em 1961. 

Recuperação de área degradada. Aldeia Piyulaga, Terra Indígena do Xingu

Hoje, o Território Indígena do Xingu - TIX abrange um conjunto de quatro terras indígenas contínuas que inclui o Parque Indígena do Xingu-PIX, a Terra Indígena Wawi, a Terra Indígena Batovi e a Terra Indígena Pequizal do Naruvôtu, nas quais habitam aproximadamente 7 mil índios de 16 povos diferentes:
AwetiIkpengKalapaloKamayuraKawaiweteKisêdjêKuikuroMatipuMehinakoNafukuaNaruvôtuTapayunaTrumaiWaujaYawalapiti e Yudja, falantes de 15 línguas distintas.

Liderança waurá. Treinamento para brigada anti-incêndio, 2011. Território Indígena do Xingu
  
Ameaças: Desmatamento
As nascentes do Rio Xingu ficaram fora da área demarcada para o Parque Indígena do Xingu na época de sua criação.


Com a valorização das commodities de grãos nas últimas décadas, o desmatamento avançou intensamente no entorno do Parque, comprometendo as nascentes e rios formadores do Xingu. O assoreamento e a contaminação por agrotóxicos desses cursos d'água estão entre as principais consequências deste processo, comprometendo a qualidade da água de toda a bacia do Xingu.

Ameaças: Fogo
O fogo é usado milenarmente pelos povos indígenas em diversas atividades cotidianas, com destaque para a formação do roçado, onde eles cultivam mandioca e outras culturas. Até o começo deste século, este uso tradicional do fogo nunca havia causado incêndios para além da área manejada pelos índios, que mantinham controle sobre o fogo. 


Com as mudanças climáticas, acentuadas de maneira aguda na região do Xingu pelo alto índice de desmatamento no entorno do território indígena, o ressecamento da floresta vem se agravando e os índios estão testemunhando um aumento da ocorrência de incêndios florestais, causados tanto pelo fogo que sai do controle quanto por causas naturais.
Como o filme "Fogo na Floresta" mostra, os povos indígenas do Xingu estão alertas para combater o fogo descontrolado que ameaça suas florestas e vidas.

Ameaça: Mudanças Climáticas
As mudanças climáticas globais e regionais afetam de forma dramática o Xingu. A evolução dos focos de calor desde 1998 mostra como, a partir da grande seca amazônica de 2010, o fogo tem entrado no território indígena com uma intensidade sem precedentes.


O líder Tuim Kaiabi, da aldeia Samaúma, explica no filme "Para Onde Foram as Andorinhas" a percepção indígena sobre estas mudanças: "Antigamente, o sol não era assim. Então, os Kawaiwete faziam as roças. O fogo não ia muito longe. Hoje o sol esquenta até mesmo as matas.
Nós queimamos as roças e o fogo se alastra, queimando nossas matas. Eu penso que tudo isso é uma consequência desse aquecimento. Antigamente, os Kawaiwete diziam uns para os outros: "Primeiro, tem que dar meio dia". "Então, tem que ter o vento". E assim os Kawaiwete diziam. E quando eles queimavam suas roças, o fogo não se alastrava. Mas hoje em dia, mesmo tocando fogo na parte da tarde, o fogo vai embora."

Ações para mudança 
O ISA desenvolve uma série de iniciativas em parceria com as comunidades do Território Indígena do Xingu para conter o avanço destrutivo do fogo. 

Mulheres Ikpeng. Manejo de sementes de carvoeiro. Aldeia Moygu. Povo Ikpeng, Terra Indígena do Xingu

Entre elas, o apoio e formação das comunidades para o manejo e controle do fogo, monitoramento via satélite dos focos de calor em toda a região, articulação com instituições públicas e privadas para o funcionamento de brigadas indígenas e desenvolvimento de técnicas de restauração florestal para recuperar as funções ecológicas do território e os recursos naturais que são estratégicos para os povos do Xingu.

Muvuca de sementes. Indígenas Kalapalo. Aldeia Tangurinho, Terra Indígena do Xingu 

Apoie o ISA e ajude no trabalho junto aos povos indígenas do Xingu no combate ao fogo descontrolado: https://filiacao.socioambiental.org/

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