domingo, 3 de junho de 2018

Arara Mato Grosso


Arara
Mato Grosso



Introdução Arara [MT]
Os Arara do Rio Branco sofreram intensamente os desdobramentos do extrativismo da borracha na Amazônia. Depois de viverem por muitas décadas sob o jugo dos patrões nos seringais, com o declínio dessa atividade e a intensificação da grilagem de terras para novas empresas colonizadoras, os Arara se viram desempregados e expropriados. O reconhecimento de seus direitos a terra e de sua indianidade só veio a ocorrer há cerca de uma década, depois de muitos anos de luta.

Localização e população
O território Arara compreende a região entre os rios Branco e Guariba. A vegetação predominante na Terra Indígena Arara do Rio Branco é de Floresta Ombrófila, associada a formações do contato com a Floresta Estacional e de Savana. Constitui área extremamente rica em biodiversidade, apresentando grande diversidade de tipologias vegetais (Floresta Ombrófila, Floresta Estacional, Contato Floresta Ombrófila/ Floresta Estacional, Contato Floresta Estacional/ Savana Florestada, Savana Florestada e Savana Arborizada), além de áreas ecotonais, de transição entre a Floresta e Savana. Ocorrem ainda feições ecológicas singulares, como campos rupestres, possuindo alto potencial biótico.
Em 2005 a população Arara totalizava 290 pessoas (CIMI), distribuídas em 20 aldeias. Desse total, 57 residindo em Aripuanã e muitas famílias com casa nesse município, alternando a moradia entre a aldeia e a cidade.
Os lugares preferidos para instalação de uma aldeia são aqueles de melhor navegabilidade do rio, concentração de recursos naturais, acesso a estradas e a cidade de Aripuanã, dentre outros. As aldeias diferem em tamanho e em população, existindo desde as que abrigam apenas uma única família até aquelas que possuem cinco, seis ou mais famílias. A maioria delas está localizada na porção sul da Terra Indígena, formando um conjunto de nove aldeias: Ponte Nova, Carlito, Três Tombos, Canapum, Mamãe vem ai, 26 de julho, Volta Grande, Capivara e Serrinha. Já na porção nordeste existem sete aldeias: Manancial, Laguinho, Boa Esperança, Volta Grande, Gaúcho, Icatu e Nova Esperança. No sudoeste da área indígena encontram-se as aldeias Taboca e Pista do Leão.
As aldeias são, na sua quase totalidade, servidas por estradas, destacando-se aquela que interliga a cidade de Aripuanã ao Assentamento Conselvan, a cerca de 80 km da sede do município, cortando o território Arara na sua porção sul, por uma ponte sobre as águas do rio Branco. Nesse local encontra-se instalada uma barreira (pedágio), por onde os índios controlam a passagem dos veículos que atravessam a Terra Indígena. Outras pequenas estradas recortam o interior da TI, formadas por aberturas e caminhos sinuosos, por vezes utilizados por não-indígenas na exploração ilegal de madeira. As condições dessas estradas, porém, são muito precárias, funcionando apenas na época da seca, e/ou quando mantida por madeireiros.
Além das residências, na sua maioria combinando “estilo tradicional” com material moderno (parede de paxiúba ou madeira serrada, cobertura de palha, cavaco ou telha de amianto, assoalho suspenso em forma de palafita etc), cada aldeia possui uma estrutura mínima de atendimento comunitário: uma pequena escola, um posto de saúde, radiofonia, poço artesiano, água encanada, banheiro com fossa séptica etc.

 Crianças Arara no rio Guariba. 
Foto: Gilton Mendes, 2006


Luta pela terra
A década de 1980 marcou um período ambíguo na vida dos Arara. Por um lado, a dificuldade de sobrevivência nas cidades para onde se refugiaram, ou nas margens do rio Aripuanã, onde os grileiros e seus capangas, com o auxílio do policiamento oficial, exerciam cerradas pressões. Por outro, iniciativas promovidas pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), da Igreja Católica, buscavam a reaglutinação do povo para a reconquista de suas terras tradicionais do rio Branco. As denúncias sobre ameaças e violência começaram, por sua vez, a ganhar notabilidade nos órgãos oficiais, instituições religiosas e na imprensa.
Entre os anos 1984 e 1985, uma equipe do Cimi realizou levantamentos da situação dos índios Arara ao longo do rio rio Aripuanã e nas cidades de Aripuanã, Matá-Matá e Ariquemes (RO), recenseando as famílias indígenas aí encontradas. Os relatórios, encaminhados à Funai, solicitavam a imediata instalação de postos de vigilância na região, tanto para proteção dos índios ameaçados quanto para assistência médica. Alertaram ainda para a condição de grilagem de terras e titulações irregulares na região, e para as constantes ameaças feitas pelos jagunços aos índios. E assim descrevem a situação da população indígena:
De um modo geral, a população Arara está inserida nas camadas mais pobres da população, sendo inúmeras as injustiças causadas a este grupo. Trabalham como seringueiros, vendendo sua produção e adquirindo mercadorias dos marreteiros a preços aviltados. Recentemente foram expulsas de suas casas duas famílias que moravam entre a boca do rio Canumã e Dardanelos. Os pistoleiros e a polícia de Aripuanã, que cumpriram a tarefa, queimaram as malocas com todos seus pertencentes. A situação dos índios é periclitante, e não conseguem resistir, indo para as cidades. Aí, ficam nas periferias como mortos-vivos, alvo de enfermidades como gripe, malária, hepatite, tuberculose, e adquirindo os vícios dos brancos, acabando miseravelmente e sem as terras que possuem (Valdez, 1985: 5).
A Funai passa então a reconhecer a problemática Arara, até então fora de sua pauta oficial, e toma as primeiras providências para resolver a questão de suas terras. Em 1987 é instituído o primeiro Grupo de Trabalho (Portarias OS 1761/86 e 515/87), coordenado pela antropóloga Vera Lopes dos Santos, da 2a Superintendência da Funai, para estudo da área tradicionalmente habitada pelos Arara. Dois outros GTs foram criados, respectivamente nos anos de 1987 e 1991.
Após intensa mobilização, sob pressão, resistência e constantes ameaças, os remanescentes Arara ocuparam, no ano de 1992, a área delimitada, concentrando-se numa única aldeia na “pista do Capivara”, à margem esquerda do rio Branco. Em 1996, por fim, a Terra Indígena Arara do Rio Branco é definitivamente decretada.


 Crianças na Terra Indígena Arara do Rio Branco. 
Foto: Gilton Mendes, 2006


 Arara [MT]: Uma língua do Brasil



ISO 639-3 axg
Nomes alternativos: Arara do Beiradão, Arara do Rio Branco
População: Nenhum falante em L1. População étnica: 150 (1994 ISA). 249 (Siasi/Sesai, 2014)
Localização: Estado de Mato Grosso.
Status da linguagem: 9 (em extinção). Os únicos usuários fluentes (se houver) são mais velhos do que a idade fértil, de modo que é tarde demais para restaurar a transmissão intergeracional natural através da casa; um mecanismo fora da casa precisaria ser desenvolvido.
Classificação: Sem classificação.
Uso da Língua: Deslocado para Português [por] .
Saiba mais em: Ethnologue

Recursos dos Arquivos Abertos de Línguas
Descrições de linguagem
1.     Online. Glottolog 3.1 Resources for Mato Grosso Arára. n.a. 2017. Max Planck Institute for the Science of Human History. oai:glottolog.org:mato1253
2.     Online. Phoible Online phonemic inventories for Mato Grosso Arara. n.a. 2014. Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology. oai:phoible.org:axg
Outros recursos sobre o idioma
1.     Online. Arára, Mato Grosso: a language of Brazil. n.a. 2017. SIL International. oai:ethnologue.com:axg
2.     Online. Linguist List Resources for Arára, Mato Grosso. Damir Cavar, Director of Linguist List (editor); Malgorzata E. Cavar, Director of Linguist List (editor). 2017-09-27. The Linguist List (www.linguistlist.org). oai:linguistlist.org:lang_axg



Atualizado: Qua, 3 de janeiro 2018.


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