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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Breve Comentário ao vídeo e ao texto sobre a Missão Maruwai


Projeto Missionário
Comunidade Indígena Maruwai
(Texto da REMA - Região Missionária da Amazônia)

“Pois, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, porque me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho!” (I Coríntios 9.16)



A Missão Maruwai busca investir em transporte, trabalho, educação, saúde, e cursos (como de costura) para atender as necessidades da Comunidade.
O queimar no coração dos macuxis é levar Jesus Cristo até seus vizinhos indígenas, apresentando-O como a verdadeira fonte de vida e salvação; revelando ser uma Comunidade Indígena com coração missionário e disposta para o discipulado cristão.
Já realizado: Um poço artesiano de 132 metros de profundidade e a construção de uma caixa d’água com 10 mil litros de capacidade que, através de um gerador, leva água encanada para todas as casas da Comunidade.

P r o j e t o s:
1. Construção do Malocão: O malocão é a casa de Cultura da Comunidade Indígena, onde se realizam as assembleias da comunidade e todas as manifestações culturais.
2. Compra de um caminhão Ford 4000: Se faz necessário para transportar as pessoas que precisam: ir à cidade, fazer visitas às comunidades vizinhas para ações evangelísticas, transporte em geral.
3. Construção da casa de apoio: A Casa de Apoio na cidade de Boa Vista se faz necessário para hospedar membros da Comunidade que vão à cidade para tratamento de saúde, receber aposentadorias e outras.

Resumo do Orçamento do Projeto:
Construção do Malocão: R$ 40.000.00
Compra do Caminhão: R$ 70.000,00
Construção de Casa de Apoio: R$ 40.000,00
Total: R$ 150.000,00

Observações:
A participação nesse Projeto pode ser total ou parcial;
As contribuições podem ser específicas para um ou mais projetos;
As contribuições podem ser únicas ou mensais, fica a critério de cada parceiro/a.

Conheça o Projeto na integra:

Este texto foi originalmente publicado em: http://rema.metodista.org.br/conteudo.xhtml?c=9828



Região Missionária da Amazônia
Breve Comentário ao vídeo e ao texto sobre a Missão Maruwai


O objetivo deste breve comentário ao vídeo e ao texto da Região Missionária da Amazônia (REMA) sobre a Missão Maruwai, é contribuir de forma plausível e mensurável com o desenvolvimento socioeconômico e cultural da Comunidade Indígena Maruwai, através de recursos teóricos experienciais tangentes aos interesses das comunidades indígenas, que sustentam metas de desenvolvimento comunitário autônomo, com vistas à preservação e valorização da respectiva cosmovisão, tradição cultural e língua, como fontes autênticas e inesgotáveis de riquezas materiais e imateriais, legítimas e sustentáveis.     
Primeiramente, nenhuma Missão deve fazer referência a grupos indígenas pelo nome da etnia no plural (Ex.: “macuxis”), pois sabe-se que cada povo indígena preserva em seus costumes a noção de unidade comunitária, e nenhum indígena, que respeita sua etnia, relaciona-se como unidade autônoma independente, como acontece no caso do homem branco, por exemplo. Entre os grupos indígenas que se preocupam com suas tradições, a noção de unidade coletiva supera, em muito, a própria noção cristã de unidade no Corpo de Cristo. A menção correta e respeitosa à etnia, bem como aos seus entes, deve sempre ser feita no singular, em qualquer caso, para todas as etnias (Ex.: “Os Macuxi”; “A etnia Macuxi”).
De igual modo, não se deve difundir o uso do termo “Malocão”, ainda que os próprios macuxi e outras etnias o façam por influência, pois “Malocão” é superlativo absoluto de “maloca”, que por sua vez, é pronúncia pejorativa do homem branco para fazer menção à “Oca” dos indígenas, onde as relações entre tradição, língua e religião mantém coesão hegemônica. O termo “Mal” (antônimo de “bem”) é adição do homem branco para introduzir a ideia de que a “Oca” (habitação comunitária de famílias indígenas), é um lugar onde habita todo o tipo de “mal”. Não é difícil compreender que este tipo de mensuração é totalmente inconveniente a qualquer projeto missionário que pretenda reconstruir os valores tradicionais da dignidade indígena através do evangelho de Cristo.
Ademais, se o propósito da Missão Maruwai, é investir em transporte, trabalho, educação, saúde e cursos, é preciso, antes de tudo, reconhecer ser mais prudente ouvir a orientação dos macuxi, nas questões tangentes a cada uma destas áreas, aprendendo deles o envolvimento e a participação na Missão de Deus. Tal prudência, se adquire a partir do fato de que, toda e qualquer atenção a estas áreas, não surge como produto diagnóstico de uma Missão, mas do milenar escrutínio indígena orientado por sua relação socioeconômica com o meio ambiente que o envolve, e que hoje se manifesta na forma de graves protestos e reivindicações sociopolíticas, originadas no seio de cada uma das comunidades indígenas, muito pouco correspondidas pelas autoridades competentes locais, regionais e nacionais, tanto em âmbito estatal, quanto eclesiástico.
Se apresentar Jesus Cristo como verdadeira fonte de vida e salvação aos vizinhos da Comunidade Maruwai, composta majoritariamente por outros entes macuxi, é a razão dos corações estarem queimando, é necessário dar início ao processo de evangelização, imediatamente, como resposta ao impulso gerado pelo Espírito Santo de Deus, pois Aquele que produz o impulso missionário, é o mesmo que fará com que a Maruwai vença as longas distâncias para levar a Palavra de Deus entre as comunidades macuxi. Os instrumentos imprescindíveis à Missão de Deus já existem: a vontade missionária dos macuxi e o Novo Testamento em Língua Macuxi, há muito disponibilizado pela GRN e pela Escripture Earth, junto com outros instrumentos valiosos em língua materna, como cânticos, histórias e textos
Todos os conhecimentos e valores tradicionais macuxi, devem ser preservados de acordo com o entendimento e decisão dos indígenas, à luz da nova relação que, voluntária e alegremente, receberam dAquele ao qual toda nova criatura pode chamar Senhor. A partir desta realidade, deve-se resgatar o sentido específico de “necessidade” ao se referir às “necessidades da Comunidade”, visto que toda e qualquer “necessidade” existente na comunidade, não decorre de imperícia macuxi, mas de um contínuo processo de desapoderamento estratégico, empreendido pelo homem branco.
Assim, nenhuma Missão deve atrever-se em afirmar que busca “atender as necessidades da Comunidade”, pois isto seria por demais contraditório e ilegítimo. Pelo contrário, a Missão deve reconhecer a sua própria necessidade moral e ética e buscar reapoderar a comunidade, segundo os ditames da responsabilidade, justiça e honra, visto não haver quem possa se esquivar da participação, ou coparticipação, em processos de extermínio e ocupação ilegal de terras indígenas ao longo da história.
Se os poderes legalmente instituídos, plenamente reconhecidos e avalizados pela Igreja cristã, decidem por força de Lei, ou mesmo contra a Lei, destituir um povo de seu território, e de suas terras,  tradicionalmente escolhidas segundo seu potencial produtivo, e empurrá-lo para regiões de baixo potencial produtivo, não devem arrogar-se em querer “atender as necessidades da Comunidade”, por meio de água encanada e de luz elétrica, mas devem planejar como “devolver” tudo o que lhe foi subtraído, tanto em termos materiais, quanto imateriais.
Dessa forma, a construção do Centro Cultural, da Casa de Apoio e a aquisição da F-4000, são realizações que devem ser gerenciadas através da iniciativa Macuxi, partindo de sua tradicional capacidade empreendedora, que se constata desde tempos remotos, quando a hegemonia do homem branco ainda florescia. Se constatado que tal capacidade empreendedora não tem sido observada, deve a Missão também reconhecer em si mesma, a necessidade que tem de trabalhar pela restituição desta capacidade aos macuxi, já que tal condicionamento não tem origem em outra fonte, senão naquela que produziu o atual estado de desapoderamento, fonte da qual bebem tanto a Igreja, quanto o Estado.
Portanto, a Missão tem a responsabilidade bíblica, teológica e pastoral de restituir-lhe este poder empreendedor, e como fiel depositária, abnegar-se dele em favor de seu verdadeiro proprietário, o que não se fará meramente a partir da instalação de água encanada e luz elétrica, mas a partir do reconhecimento do próprio pecado e da convicção do Juízo de Deus. Assim, a obrigação de anunciar o evangelho, imposta sobre Paulo (I Co 9.16), traduz-se, sobretudo, não como meio de captação de recursos ou como forma de gloriar-se das realizações, mas como desejo de glorificar Aquele que, desde sempre, tem exercido compaixão frente a toda irresponsabilidade, injustiça e desonra empreendida pelo homem branco contra a autonomia indígena. No entanto, ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá e não tardará. (Hb 10.37)
Parafraseando o uso da citação bíblica da REMA (Região Missionária da Amazônia):


... Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, porque me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não reverter essa situação...


Projeto Luz e Vida: Missão Amazônia
“Se Deus é por nós, quem será contra nós?



Veja Também:
Projeto - O Futuro que Nós Queremos:  http://www.youtube.com/watch?v=_DjmI13121U

Saiba sobre o Infanticídio Indígena em Terras Brasileiras:
Hakani: Uma Voz pela Vida: http://www.hakani.org/pt/default.asp
Atini - Uma Voz pela Vida: http://vozpelavida.blogspot.com.br/



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