terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Missão: Metodista no Crespo



Missão Metodista no Crespo
Mulheres metodistas enviam mais de 200 vestidos infantis para Manaus

Sociedade Metodista de Mulheres no bairro Ipiranga
São Paulo-SP

A Igreja Metodista no bairro Ipiranga, em São Paulo-SP, tem um projeto social realizado por meio da Sociedade Metodista de Mulheres (SMM), que dá apoio às crianças carentes da comunidade. A sociedade enviou 200 vestidos para a comunidade de Manaus-AM, na missão metodista que acontece no bairro Crespo.  As irmãs ajudaram, além das crianças do Ipiranga, na última ação, a missão metodista em Petrolina-PE, beneficiada com 150 peças. As crianças do Haiti, que ainda sofrem por causa do terremoto que assolou o país em 2010, também já receberam doação.
“A iniciativa nasceu no coração das irmãs Noemia e Irani no meio do ano passado, e todas as demais sócias começaram a confeccionar e colaborar com essa missão” Pr. Nadir Cristiano
Foram feitos vestidos, calções e camisetas infantis. “A iniciativa nasceu no coração das irmãs Noemia e Irani no meio do ano passado, e todas as demais sócias começaram a confeccionar e colaborar com essa missão”, disse o Pastor Nadir Cristiano.
Noemia Leme Ferraz, sócia da SMM, conta que o sonho não seria possível sem a ajuda das mulheres da sociedade. “Numa reunião da Sociedade de Mulheres do Ipiranga, resolvi contar o meu sonho de fazer roupinhas para doar para crianças carentes. Falei da minha impossibilidade de realizar o sonho naquele momento, mas as mulheres da SMM resolveram se mobilizar e começar o trabalho”, lembrou Noemia sobre o início do projeto.


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Isolados: Eles não precisam de nós



“Eles não precisam de nós”
A maioria povos não contatados no mundo está no Brasil

Maloca de grupo isolado no Acre © Gleilson Miranda 
Arquivo CGIIRC Funai 2010


O caso do americano morto a flechadas ao tentar entrar ilegalmente na ilha Sentinela do Norte, na Índia, jogou foco sobre um povo que tenta não chamar a atenção e se manter isolado há anos: os sentineleses, hostis ao contato com qualquer forasteiro.
Diretora de pesquisas da Survival, ONG que defende tribos isoladas pelo mundo, Fiona Watson, 58, espera que o que aconteceu ajude a sensibilizar a opinião pública a não entrar em territórios de povos que escolheram não ter contato com forasteiros, mas também teme a curiosidade despertada pelo caso.
“Existe o perigo de tentarem vender pacotes turísticos para ver de longe os sentineleses, como se estivessem em um zoológico”, diz ela.

Isolados


Survival estima que existam pelo menos cem tribos isoladas no mundo, a maioria na Amazônia brasileira. Também há registros no Peru, Bolívia, Equador, Colômbia, Paraguai e Indonésia. O número de integrantes varia de um sobrevivente a grupos de 100 ou 200 pessoas.
Para a britânica, que trabalha há 28 anos com o tema e morou no Brasil nos anos 1980, a vontade dos povos que não quererem contato deve ser respeitada por razões legais, éticas e de sobrevivência.
“Eles mostram claramente que não querem contato: deixam flechas cruzadas nas trilhas, atacam invasores, vivem se escondendo. Ouvi histórias de um grupo que caça à noite e dorme de dia, em cavernas. Temos que respeitar esse desejo”, diz.
No Brasil a política do governo, que no passado forçava o contato com tribos isoladas, mudou de rumo na década de 1980, após experiências que levaram à morte de indígenas por doenças, diz Watson.
Hoje, a Funai (Fundação Nacional do Índio) faz o monitoramento a distância, por imagens de satélite, conversas com tribos vizinhas e viagens a campo para identificar ameaças nos arredores. No Peru e na Colômbia também existem regras semelhantes.
Na Índia, há uma dúvida se a lei que proíbe a aproximação a Sentinela do Norte estava em vigor quando o missionário John Chau foi até lá, em 16 de novembro. Segundo relatos, ele pagou pescadores para que o levassem a um lugar próximo, percorreu o restante do trajeto de caiaque e foi atingido por flechas ao pisar no território.
Um dos temores da aproximação não desejada é o risco de eles se contaminarem com doenças às quais não estão imunes, o que pode acontecer mesmo com um contato muito breve, alerta Watson. Segundo a Survival, é comum que metade de uma tribo seja dizimada em um ano por gripe ou sarampo.
Um caso emblemático, que também envolveu evangelizadores, foi o dos Zo’e, no norte do Brasil. Missionários que entraram em contato com eles em 1987 acabaram tendo que chamar a Funai após o adoecimento de vários membros da tribo. Em seis anos, um quarto da população morreu. Depois disso, a organização religiosa foi expulsa e eles voltaram a viver em isolamento.
Segundo a Funai, há 107 registros da presença de índios isolados na Amazônia Legal, com graus diferentes de checagem —nem todos podem ser confirmados. “Não é uma ciência. É muito difícil dizer [quantos são]”, diz Watson, acrescentando que pode haver grupos ainda totalmente desconhecidos. “O número de registros vem crescendo, porque as florestas vêm sendo mais invadidas e, assim, mais comunidades são descobertas”, afirma.

A diretora de pesquisas da Survival International, Fiona Watson, com mulheres Waiãpi, Amapá

A diretora de pesquisas da Survival International, Fiona Watson, com mulheres Waiãpi no estado do Amapá - Survival International/Divulgação
Há grupos de caçadores-coletores nômades, mas também os que cultivam alimentos. Todos são autossuficientes, diz Watson: “Podemos dizer que são os povos mais autossuficientes do mundo. Eles fazem os próprios remédios, não precisam de cesta básica, de ajuda. Não precisam de nada de nós”.
Diferentemente do que muitos pensam, esses povos não estão parados no tempo, diz ela: “Como qualquer sociedade, eles estão sempre evoluindo. Eu diria que têm que se adaptar mais rápido do que muitos de nós.”
Em muitos casos, o isolamento é uma forma de autopreservação, uma decisão ligada à memória histórica. A pesquisadora lembra o caso dos indígenas escravizados durante o ciclo de extração de borracha, na Amazônia.
“Os grupos isolados que vivem no Acre são provavelmente os sobreviventes do boom da borracha, há cerca de 100 anos. Houve muitas atrocidades, e aqueles que escaparam foram para lugares mais remotos”, conta ela.
Segundo a pesquisadora, fotos mostram que muitos deles, incluindo os sentineleses, são fortes e têm boa saúde, “o que prova que a estratégia deles funciona quando seus territórios são protegidos conforme a lei”. O problema, afirma, são ameaças como a invasão de grileiros e madeireiros e o desmatamento.
Mesmo quando se identificam intrusos, autoridades demoram a tomar providências, reclama. “Uma associação de ianomâmis denunciou a presença ilegal de garimpeiros perto de membros isolados. As autoridades levaram mais de um ano para agir”, diz Watson, que critica reduções recentes nos repasses de verbas à Funai por prejudicar a fiscalização.
Algumas iniciativas de proteção partem dos próprios indígenas vizinhos a povos isolados. No Maranhão, por exemplo, membros do povo Guajajara protegem um grupo de Awá isolados dos madeireiros ilegais.
A britânica diz que mortes como a de John Chau são muito raras. Ela é contrária à teoria do contato controlado, que prega que deveria ser feito um contato projetado com esses povos, para seu próprio bem. “É uma atitude paternalista e perigosa. Ninguém garante um contato 100% controlado. A experiência mostra que, mesmo se você chegar com bons médicos, ocorrem mortes por doenças e violência.”
Na opinião de Watson, para proteger esses indígenas, não é preciso fazer contato. “Não precisamos saber como se chamam, que línguas falam, quantos são. Só precisamos saber mais ou menos onde moram, demarcar e proteger. Do resto eles cuidam. Se a gente os deixar em paz, eles vão sobreviver, e sobreviver bem.

3 de dezembro de 2018, às 2h00
Flávia Mantovani


segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Amazônia: Cobiça e "Ameaça”


Amazônia
A cobiça Internacional e a “Ameaça” Triplo A

Assim que comecei a me interessar pelas questões interligadas da destruição da floresta tropical e da mudança climática, nos anos 1980, topei com a doutrina da cobiça internacional sobre a Amazônia. Mais que espanto, impõe-se o enfado ao vê-la reencarnar como os moinhos de vento do Triplo A.
No dom Quixote de Cervantes, paranoia, excesso de imaginação e falta de lógica compõem um tipo adorável, por seu anacronismo: um cavaleiro andante num mundo onde já não há donzelas por salvar. Quando o trio de afecções acomete a cúpula militar que tomou o Planalto, o enredo é de um triplo amadorismo.
Como sequela, o Brasil deixará de sediar um evento diplomático importante, a 25ª conferência dos países que integram a convenção da ONU sobre mudança climática (COP25). Renunciou, voluntária e irrefletidamente, a projetar sua influência num debate mundial decisivo. Tudo isso por causa de um obscuro antropólogo americano naturalizado colombiano, Martin von Hildebrand.

Mapa ilustra corredor Andes - Amazônia - Oceano Atlântico

O homem teve papel de destaque nas políticas de proteção de florestas e povos indígenas da Colômbia, mas só uma dose amazônica de paranoia conseguiria erigi-lo em orquestrador de uma conspiração global para destruir a soberania brasileira. Von Hildebrand lançou a ideia de montar um mosaico de unidades de conservação e terras indígenas protegidas na Amazônia, dos Andes ao Atlântico (daí o nome Triplo A).
Inspira-se no conceito conservacionista de corredor ecológico, um contínuo de áreas florestadas que garante o fluxo e a sobrevivência de espécies. Nada a ver com uma estrada para tanques e aviões, mas sim para antas e onças. E também para um monte de povos indígenas da região, beneficiados pela manutenção da mata em que se fundamenta seu modo de vida.
Como vantagem adicional, barrar a destruição da floresta contribui para conter a marcha do aquecimento global. Em suma: nações soberanas reunidas em encontros periódicos para coordenar entre si a melhor maneira de perseguir tais objetivos.
Von Hildebrand convenceu o então presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, de que a ideia fazia sentido. Se não convencer o presidente de turno por aqui, pronto, o Brasil fica fora. Não está obrigado a nada. A proposta não integra nenhum dos compromissos voluntários do Estado brasileiro no Acordo de Paris.
Sua implementação, agora, será debatida na COP25 em outro lugar que não o Rio de Janeiro, Brasília ou São Paulo. Desistir de organizar a conferência depois de pleitear o privilégio, e por causa de um vínculo inexistente, não projetará a imagem de amadorismo só sobre a figura do presidente.

Amazônia S.A.

Haverá respingos também sobre o Itamaraty. Tudo isso por excesso de imaginação. Não é de hoje que militares brasileiros implicam com terras indígenas, que enxergam como “nações independentes” incrustadas no território nacional. Como ONGs indígenas e ambientais recebem dinheiro de fundações internacionais para realizar seus projetos, concluem que só pode ser para criar enclaves inacessíveis ao estado e às empresas agrícolas, de energia ou mineração.
Não é o que diz a Constituição, em seu artigo 231, sobre as terras indígenas. Seus ocupantes têm a posse, não a propriedade dessas áreas, que são inalienáveis. Os índios têm o usufruto exclusivo das riquezas do solo e dos rios, mas seu eventual aproveitamento não está proibido. Exige, no entanto, autorização do Congresso Nacional, consulta dos ocupantes e sua participação nos resultados.
Falta muita lógica, ainda, à monomania da cobiça internacional sobre a Amazônia, seu patrimônio biológico, mineral e hídrico. Comparam-no com o petróleo do Oriente Médio. Imaginam talvez que o objetivo oculto de Von Hildebrand e Santos, talvez do príncipe Charles, é preparar uma invasão para levar água embora em navios-tanque? Tomar à força os minérios que o Brasil já lhes vende? Realizar enfim a promessa visionária de drogas milagrosas contidas na biodiversidade, coisa que até hoje não se materializou? Algo desse naipe deve ser verdade, tem de ser verdade. Afinal, o general Villas Boas tuitou, em 19 de setembro, que o Corredor Triplo A apresenta riscos para o Brasil.

3 de dezembro de 2018 às 2h00
Marcelo Leite
Jornalista especializado em ciência e ambiente, autor de “Ciência - Use com Cuidado”.
(Com supressões feitas por este Blog)